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“Um fracasso ou um mistério?” – Por Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista e escritor

“É estranho o caso dos celulares sob custódia da PF de Bolsonaro que não foram devassados”, aponta o jornalista Moisés Mendes

Confira:

Os detalhes mais interessantes sobre as mensagens vazadas do caso Master nem sempre estão nos conteúdos devassados. Também provoca manchetes a destreza da Polícia Federal para acessar o que depois acaba vazando para o Globo.

A PF abre celulares como se abrisse latas de sardinhas. Tudo parece fácil. Mas essa mesma polícia não conseguiu abrir dois celulares inexpugnáveis do véio da Havan, que estão até hoje sob sua custódia.

Sorte tem o véio. Dois celulares dele estão intactos, conforme as últimas informações, que nem são tão novas. A Polícia Federal sob o comando de Lula abre tudo, sob ordens da Justiça. Mas a PF de Bolsonaro não abria.

Hoje, a PF abre e destrincha. E uma turma de dentro da própria polícia escancara e manda para Malu Gaspar. E depois até conta detalhes de como abriu, para que se reafirme que os conteúdos são verdadeiros.

A PF abre celulares de gente com alta proteção. Abriu celulares de Mauro Cid, do pai do Mauro Cid, dos amigos do Mauro Cid, de generais, de golpistas e de bandidos de todos os tamanhos.

Abriu os quatro celulares de um advogado de Bolsonaro, todos os oito de Daniel Vorcaro e os dos amigos de Vorcaro. A PF abre o celular que aparece na frente dos seus peritos.

Menos os celulares do véio da Havan. Em agosto de 2024, o ministro Alexandre de Moraes decidiu que um inquérito sobre oito tios golpistas do zap seguiria em frente (havia sido aberto em agosto de 2022) porque dois celulares do empresário não haviam sido devassados pela perícia.

Seis tios foram dispensados, e Luciano Hang e Meyer Nigri continuaram no inquérito. Até hoje, nada. Os celulares eram e parece que ainda são impenetráveis.

Os dois aparelhos que ficaram sob custódia de gente em postos de comando no governo de Bolsonaro – a partir de agosto de 2022 – eram blindados a qualquer ação da PF? Desde agosto de 2024 não se fala mais disso.

Por que só esses dois? Sabe-se que o empresário não forneceu a senha, como todos os investigados não fornecem, e os celulares levaram os peritos a um fracasso que a grande imprensa não aborda. Nunca mais falaram dos aparelhos indevassáveis do sujeito, porque também ele está blindado nos jornalões.

É uma ironia que agora, com as notícias sobre as mensagens de Vorcaro para Moraes, as jornalistas Malu Gaspar e Mônica Bergamo decidam contar tudo sobre como os outros aparelhos são devassados.

São informações fornecidas pelas próprias alas da PF que vazam informações de interesse da direita. A PF entra e sai dos celulares com facilidade, e também os peritos privados se divertem contando como isso é possível.

Mas estão lá até hoje, imagina-se que agora em gavetas do necrotério dos celulares mortos e sem autópsia, os dois aparelhos com códigos de aço do véio da Havan.

Moisés Mendes
Jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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