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“Um livro que retrata os descaminhos do Ceará e do Brasil”

Barros Alves é jornalista e poeta

“A Igreja Católica, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, a Associação Brasileira de Imprensa-ABI e outros institutos, associações e organismos, que deveriam ir para a linha de frente na defesa da democracia mantêm-se silentes”, aponta o jornalista e poeta Barros Alves. Confira:

O Brasil passa por uma crise sem precedentes na sua história republicana. A de agora é bem mais grave do que o golpe que derrubou o imperador cidadão, Pedro II, em 1889, uma ação de aliados, repleta de traições e covardias; mais grave do que a ditadura implantada pelo Marechal Floriano Peixoto, em 1893, deixando à mostra o caráter autoritário do governo que substituiu o democrático Império brasileiro; mais grave do que a Revolução de 1930 que prometia moralização e modernização do Estado e implantou uma ditadura de quinze anos, com um discurso em favor dos trabalhadores, que ludibriou a população até o pós Segunda Grande Guerra; mais grave do que o movimento militar de 1964, que constituiu um contragolpe que impediu a comunização do País, em avançado processo liderado pelas esquerdas incrustadas no governo João Goulart. Nos citados momentos críticos da vida nacional, houve alentadas vozes que se insurgiram contra as investidas autoritárias de grupos liberticidas que intentavam destruir o processo democrático em nosso País. Em todos esses momentos, levantaram-se vozes escudadas em instituições gradas da República e da sociedade. Antes, lideranças da Igreja Católica e entidades livres como a Maçonaria e a Imprensa articularam ações para barrar o autoritarismo; após a Revolução de 30, juntaram-se a essas instituições algumas outras, entre as quais assoma a Ordem dos Advogados do Brasil, que, pela voz de eminentes advogados, fazia das tribunas instrumento de defesa da democracia.

Nos dias que correm o povo brasileiro, depois de um longo processo de aparelhamento da sociedade e do Estado por agentes e militantes do movimento esquerdista internacional, mergulhou numa crise política que alarma as mentes mais informadas. A guerra cultural gamsciana fez estragos incomparáveis no corpo político e social da nação. Vendendo gato por lebre, cavalgando um discurso democrático enquanto sorrateiramente – às vezes nem tanto – instala uma ditadura de feição marxista, lideranças marxistas minam a democracia brasileira e carcomem os valores mais caros à nossa sociedade em termos de liberdade, quer seja no campo político, econômico ou religioso, criando um ambiente a tal ponto promíscuo que até mesmo vemos esvair-se a segurança jurídica, base da democracia em qualquer lugar do mundo e condição sine qua non para a vida plena de uma nação em perfeita liberdade. Entre nós, – pasmem! -, é o Poder Judiciário que, por intermédio de alguns de seus membros mais preeminentes, ousam atacar a democracia com decisões arbitrárias, algumas consideradas absurdas, com consequências danosas para o processo democrático brasileiro.

Por agora, a situação se mostra tenebrosa. A Igreja Católica, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, a Associação Brasileira de Imprensa-ABI e outros institutos, associações e organismos, que deveriam ir para a linha de frente na defesa da democracia mantêm-se silentes diante um rosário de abusos cometidos pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo e, por outro lado, em face da pusilanimidade do Poder Legislativo, em especial o Senado Federal. Apenas vemos altearem-se vozes isoladas de parlamentares e personalidades de relevo na sociedade brasileira, que enfrentam a força do poder discricionário com as armas da palavra e da escrita. Vale citar os nomes do eminente advogado Ives Gandra da Silva Martins, do desembargador Sebastião Coelho da Silva, dos jornalistas Alexandre Garcia e Augusto Nunes, entre outros.

No Ceará, alteia-se a voz destemida do jornalista Luciano Cléver, também poeta, munido de reconhecido talento e grande experiência na seara do jornalismo político, é um dos pioneiros entre os que na mídia cearense insurgem-se contra o estado de desrespeito aos mais comezinhos valores que sustentam a nossa frágil democracia. Homem de Rádio, de Televisão e de Jornal, com atuação em outras mídias modernas, Luciano Cléver colige boa parte de sua produção intelectual em obra basilar para se compreender os descaminhos da nossa República e do nosso Estado nos últimos cinco anos. A crítica segura e a análise percuciente percorrem lugares e aponta deslizes e desvios de personalidades, chamando a atenção da sociedade para a necessidade de se pôr em prática o exercício da fiscalização dos homens públicos, sobretudo daqueles que ascenderam ao poder pela concessão do voto enquanto crédito para a governança e a para a representação política. Luciano Cléver, com a publicação desses artigos anteriormente veiculados em órgãos midiáticos do Ceará, exerce com destemor e competência o direito à liberdade tão cara a todos nós e que nos é assegurado pela Constituição brasileira dita Cidadã, mas para a qual alguns que deveriam guardá-la estão a vilipendiá-la. A leitura desse livro é imprescindível para quantos querem conhecer a vida política brasileira e cearense nos dias que correm.

Barros Alves é jornalista e poeta

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