“Um pouco da história da CNEC ” – Por Irapuan Diniz de Aguiar

Irapuan Diniz de Aguiar é advogado, professor e dirigente da CNEC do Ceará. Foto: Paulo Moska.

Com o título “Um pouco da história da CNEC”, eis artigo de Irapuan Diniz de Aguiar. “No Ceará como, de resto no país, a CNEC mesmo sendo um imenso corpo a serviço da comunidade, infelizmente não preservou sua alma. O imediatismo na fundação de ginásios e colégios, alma da CNEC, foi esquecido. Não aconteceu a necessária divulgação da doutrina”, expõe o articulista.

Confira:

A pouca visibilidade da CNEC na história da educação do Brasil, a despeito de ter desempenhado uma ativa e importante participação
durante mais de oitenta anos no cenário educacional do pais, ensejou e estimulou o professor-doutor José Lima Santana, vice-presidente da
instituição, a escrever um livro intitulado “OS QUE TÊM MAIS RISO E MENOS PRANTO”, verso extraído do seu hino, em que contextualiza sua
atuação na educação brasileira.

Numa época em que pouquíssimas pessoas iam além do antigo curso primário, a CNEC chegou ao Ceará ofertando vagas para o ensino
secundário de forma diferenciada pois, apesar das escolas particulares já ofertarem este nível de ensino, os colégios cenecistas abriam espaço para um ensino semi-gratuito direcionado aos estudantes carentes e em localidades distantes da Capital, onde só existiam grupos escolares ou escolas reunidas. A semi-gratuidade decorria da circunstância das escolas da CNEC solicitar uma colaboração de pequena monta dos alunos, equivalente às taxas escolares que antes se pagava nas escolas públicas.

Embora de grande significação social, o desconhecimento deste relevante papel exercido pela Campanha é atribuído a diferentes causas,
dentre as quais a confusão quanto a sua natureza jurídica – confundida como escola pública – a cooptação desta por parte de políticos que
viram na Campanha uma maneira de fundar colégios e depois privatizarem para si mesmos ou, através do tráfico de influência, as
estadualizarem e, ainda, o fato da Campanha não ter sido elitista nesta estratégia e seu alunado se constituir de pessoas carentes de recursos. Estas, possivelmente, as razões desse silêncio em torno da Campanha no Brasil.

No Ceará como, de resto no país, a CNEC mesmo sendo um imenso corpo a serviço da comunidade, infelizmente não preservou sua alma. O imediatismo na fundação de ginásios e colégios, alma da CNEC, foi esquecido. Não aconteceu a necessária divulgação da doutrina. A
instituição, com honrosas exceções, não produziu livros, não adentrou nos cursos pedagógicos e nas universidades e olvidou os seminários e
congressos, campos propícios para o debate das ideias. Aliás, esta ausência na divulgação de sua doutrina, foi uma das motivações do
professor José Lima Santana para numa ampla pesquisa, escrever uma obra que é uma referência sobre a evolução da Educação no Brasil em
suas diversas fases históricas.

O espírito cenecista sempre foi uma característica privativa das escolas da CNEC que, a partir de suas criações, já cultivava valores que
permanecem vivos na mente no coração de seus alunos e da comunidade, daí possuir seu próprio hino, bandeira, banda de música,
organização de torneios intercolegiais e eleger sua rainha entre as escolas.

*Irapuan Diniz de Aguiar

Advogado e professor.

COMPARTILHE:
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Notícias