Com o título “Uma heroína”, eis artigo de José Maria Pontes, médico e ex-vereador. Ele traz uma história que coincide com o sucesso que foi o desfile da “Unidos da Tijuca”, no sambódromo do Rio, na madrugada desta terça-feira, quando seu samba-enredo resgatou a historia da escritora negra Carolina Maria de Jesus.
Confira:
Muitos heróis e heroínas da história da humanidade passam como desconhecidos, principalmente das novas gerações. Vou iniciar fazendo uma enquete: você sabe quem foi ROSA PARKS?
Na cidade de Montgomery, estado do Alabama, em 1955, aconteceu um fato que teve repercussão no mundo, mas que foi esquecido com o tempo. Uma mulher negra norte-americana de nome Rosa Parks, 42 anos, costureira, ao retornar do trabalho para casa de ônibus, foi surpreendida pelo motorista, que determinou que cedesse seu assento para o passageiro branco, pois todos estavam ocupados e ela respondeu que não cederia, pois tinha passado o dia trabalhando e estava cansada.
O motorista acionou a polícia e Rosa Parks foi presa e perdeu o emprego juntamente com seu marido que era barbeiro e teve que mudar de cidade devido as ameaças que passou a receber. Em 1900 foi aprovada uma lei, que obrigava um negro a ceder seu assento a um branco, caso todos os assentos tivessem ocupados.
Uma entidade (Associação Nacional para o Congresso de Pessoas de Cor) que lutava pelos direitos civis dos negros, decidiu que os negros em Montgomery não mais se utilizassem dos ônibus municipais enquanto essa lei vigorasse. Esse boicote foi uma forma de protesto e teve a liderança do pastor evangélico Mathin Luther King e após 381 dias de boicote, as empresas de ônibus, em situação financeira difícil, levaram a Corte Suprema americana a revogar essa lei, tornando-a inconstitucional.
Esse grande movimento em defesa dos direitos dos negros saiu vitorioso e mostrou que a pressão sofrida pela Suprema Corte exercida pelos empresários de ônibus, tinha como causa suas situações financeiras que não mais se sustentavam, pois os ônibus transitavam quase vazios.
A recusa de uma operária negra, ao dizer não, foi importante na luta contra o racismo Norte-americano e a participação de toda comunidade negra para derrubada de uma lei injusta.
O movimento de boicote aos ônibus em Montgomery servirá de exemplo para a luta dos povos socialmente injustiçados de todo mundo. Rosa Parks foi uma grande ativista na luta pela igualdade racial e em defesa dos direitos de uma população socialmente discriminada. Antes de falecer em 2005, aos 92 anos, Rosa Parks recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso.
*José Maria Pontes
Médico e ex-vereador de Fortaleza.