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“Uma questão de bom senso” – Por Tales M. de Sá Cavalcante

Tales M. de Sá Cavalcante preside a Academia Cearense de Letras. Foto: Paulo MOska

Com o título “Uma questão de bom senso”, eis artigo de Tales M. de Sá Cavalcante, reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras.

Confira:

A opção pelo uso de siglas é por vezes duvidosa. No caso de CPF, por exemplo, é de melhor uso do que “Cadastro de Pessoa Física”. Por feliz iniciativa do prefeito Roberto Pessoa, a Biblioteca de Maracanaú chama-se “José Augusto Bezerra”, decerto ali não haverá placa com a sigla BJAB. Esta seria ofensiva ao notório intelectual e à palavra biblioteca, que é de origem grega, na junção de biblíon (livro) com thḗkē (caixa, depósito), a formar uma coleção de preciosidades. Homenageados e fundadores não devem ser reduzidos a letras.

Já Mr. (mister) Trump fez pior ao extinguir a biblioteca da NASA (por sinal, uma boa abreviação). O saudoso e notável empresário José Dias de Macêdo, que criou a J.Macêdo (e não JDM), ensinava: “mais importante do que o que eu digo é o que você entende”. O uso de siglas possibilita erro de interpretação, por serem simples iniciais.

A defender essa tese, a antiga Revista São Paulo Magazine já publicou texto sobre a visita de britânicos a uma casa alemã para alugá-la. De volta à Inglaterra, a senhora lembrou-se de não ter visto o WC e escreveu ao proprietário: “(…) sou da família que (…) o visitou (…), mas (…) agradeceríamos se nos informasse onde se encontra o WC”. O alemão, não compreendendo o sentido da abreviatura “WC” e julgando tratar-se da capela da seita inglesa White Chapel, assim respondeu: “(…) o local a que se refere fica a 12 km da moradia. Isto é muito cômodo, sobretudo se tem o hábito de ir lá frequentemente (…). Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para 400 pessoas sentadas e 100 em pé.

Os assentos são de veludo; recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado. (…) À entrada, é fornecida uma folha de papel a cada pessoa, mas, se chegar depois (…), pode usar a do vizinho ao lado. Tal folha deve ser restituída à saída para ser usada durante o mês. Existem amplificadores de sons. (…) Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade, de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão honrado”. O uso de siglas é uma decisão sua, portanto uma questão de bom senso. E não “UQBS”.

*Tales M. de Sá Cavalcante

Reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras.

tales@fariasbrito.com.br

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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