“Veloz Cidade” – Por Totonho Laprovítera

Totonho Laprovíítera: o contador de hstórias. Foto: Portal IN

Com o título “Veloz Cidade”, eis mais uma história da lavra de Totonho Laprovitera, arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

Confira:

Conheci as competições automobilísticas ao ouvir falar de carros pegando parelha; “puxando a mais de cem” era a expressão usada para nomear os velozes, e os ases do volante já eram heróis, sem precisar ir à guerra.

Quantas corridas de carro assisti no Pici e no Eusébio? Perdi a conta. O automobilismo sempre esteve ali, bolindo com minha curiosidade, atravessando a infância e acompanhando a adolescência. Desenhava carros como quem desenha sonhos – alguns, inclusive, ganharam nome e marca: FALT, iniciais do meu nome completo. Eram exercícios de imaginação, mas também de futuro.

Nos anos 1970, ainda no curso científico, participei da Equipe Integral de Cronometragem, sob a coordenação de Marcelo Villar. Mais tarde, já arquiteto, tive a alegria de criar o desenho da pintura do protótipo VW nº 55, do amigo e piloto Luiz Pontes. Não era apenas entusiasmo juvenil: era envolvimento, presença, pertencimento. O automobilismo sempre fez parte da paisagem da minha formação e da cidade que aprendi a observar.

Fortaleza – e o Ceará como um todo – sempre teve uma relação natural com o esporte a motor. Talvez nem saibamos explicar exatamente por quê. Mas ele surgiu, cresceu e se espalhou com facilidade. A reconhecida criatividade do automobilismo cearense é exemplo para o mundo. Das corridas de rua – nas avenidas Beira Mar e Abolição – passando pela pista improvisada do Pici, até a consolidação do Autódromo Internacional Virgílio Távora, no Eusébio, construiu-se uma história que merece ser lembrada com respeito.

O autódromo vai além do concreto, asfalto e arquibancada: integra esporte, economia, tecnologia, turismo, cultura. Um lugar onde a cidade dialoga com a velocidade sem perder o controle; onde a técnica encontra a paixão; onde o tempo acelera sem atropelar a memória.

Por isso, mais do que indignação, eu sinto um estranhamento diante do cuidado insuficiente dispensado a esse patrimônio. Não como crítica vazia, mas como convite à reflexão. Cuidar desse espaço é cuidar de uma vocação, de uma história e de um potencial que ainda pode render bons frutos.

Acredito, com tranquilidade e esperança, que o automobilismo esportivo pode – e deve – ser retomado com inteligência, responsabilidade e visão de futuro. Não como oposição a uma sociedade que caminha, mas como complemento a um modo de viver que também anda sobre rodas. Um modo de viver que entende que progresso não é excluir, mas integrar.

Em termos simples, trata-se apenas disso: reconhecer o que já fomos para decidir, com mais clareza, o que ainda podemos ser.

*Totonho Laprovítera

Arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

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