“Trata-se de uma ação que fere o Direito Internacional e estabelece um precedente perigosíssimo para toda a América Latina, inclusive para o Brasil”, aponta o vereador João Aglaylson
Confira:
Fazer política exige coerência. É possível e necessário ser contra o modo discricionário como Nicolás Maduro governa e, ao mesmo tempo, condenar o ataque militar promovido pelos Estados Unidos à Venezuela. Autocracias são nocivas por definição. O entrincheiramento político produz concentração de poder, repressão, restrições à imprensa e deterioração institucional.
Reconhecer a necessidade de transparência no processo político e eleitoral na Venezuela faz parte de uma análise honesta. O Brasil, inclusive, distanciou-se politicamente de Maduro desde então. Nada disso, porém, autoriza um país estrangeiro a bombardear território soberano, matar civis, sequestrar um chefe de Estado e levá-lo à força sob acusações que sequer existem no Direito Internacional, como o chamado “narcoterrorismo”.
Trata-se de uma ação que fere o Direito Internacional e estabelece um precedente perigosíssimo para toda a América Latina, inclusive para o Brasil. Se fosse realmente sobre combate ao narcotráfico, os Estados Unidos não teriam apoiado, durante anos, o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, hoje condenado nos próprios EUA por tráfico de drogas. Se fosse sobre democracia, Washington não manteria alianças estratégicas com ditaduras como a da Arábia Saudita. Essa seletividade é reveladora.
Ao declarar que os EUA querem “administrar” a Venezuela e explorar seu petróleo, o próprio Donald Trump desmontou qualquer narrativa humanitária. Segundo o deputado norte-americano James Talarico, Trump teria prometido às grandes petroleiras acesso às maiores reservas de petróleo do mundo em troca de financiamento bilionário de campanha.
O ataque à Venezuela provocou repúdio imediato de governos e lideranças internacionais, inclusive de setores da extrema-direita, que classificaram o sequestro como violação do Direito Internacional. Apenas a direita alucinada vibra com a agressão e sonha em ver o Brasil como o próximo alvo, ignorando que flertar com a perda da soberania é desejar a própria destruição.
Normalizar esse tipo de ação dos Estados Unidos é aceitar que a força substitua a democracia. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer país com petróleo, água, minerais ou floresta.
Autocracia não é solução. Intervenção estrangeira tampouco. Defender a democracia é, antes de tudo, defender soberania, limites e autodeterminação. A América Latina não aceitará viver de joelhos nem sob a tutela dos Estados Unidos.
João Aglaylson
Vereador de Fortaleza ( PT)
Respostas de 2
Texto excelente. Parabéns ao Vereador João Aglaylson
Vereador de Fortaleza ( PT), coerência política é o que está faltando atualmente.
Parabéns companheiro, pela análise do ponto de vista da defesa da democracia, soberania Sul América e Caribe, coerente com nossa luta.