Com o título “Viagem e Noticias Pós-Carnaval”, eis artigo de Ernesto Antunes, escritor, administrador e consultor empresarial. “desisti de ver e ouvir, por enquanto, as notícias do Brasil, para não tirar as boas lembranças de nossa viagem, pois, como diz a pensadora Isis Kaline: “Viajar me faz esquecer daquilo que não quero lembrar”, expõe o articulista.
Confira:
Neste ano resolvi passar o período carnavalesco fora do Brasil, para além de sentir e conhecer novos países e suas culturas, pude, ao mesmo tempo, me distanciar das notícias corriqueiras que assolam a nossa democracia. Consegui, em parte, ficar distante dos noticiários do Brasil, pois eventualmente preferia ficar desconectado da internet e das mídias sociais, com suas verdades e fake news de toda espécie.
Procurei me afastar do carnaval, mas ele não se afastou de mim, pois na Cidade do Panamá também aconteciam, mesmo que timidamente, seus festejos mominos, com um grande palco armado e com a presença de artistas de diversos ritmos musicais, na famosa e importante Avenida Balboa, com sua belíssima vista do Pacífico. Preferi, na ocasião, visitar o histórico Casco Viejo e ouvir os ritmos panamenhos, como a salsa e até o flamenco, com um grupo de espanhóis que se apresentava em um restaurante tradicional da cidade.
Diariamente, durante esse período, à noite, já no hotel, aproveitando as TVs smart, espiava os carnavais de todo o Brasil, em especial o desfile das escolas de samba no Sambódromo. Ao assistir ao desfile do primeiro dia, fiquei sem entender o enredo da Escola de Samba Unidos de Niterói, que tinha o propósito de homenagear o presidente Lula. Na realidade, o que vi foram ataques desnecessários à família, à religião e aos conservadores como eu, que acreditam nos princípios morais e cristãos. Antes do término do desfile dessa escola de samba, desliguei a TV, pois misturar carnaval com política não é uma boa ideia para o sofrido povo, que gosta de extravasar nesse período mais para esquecer os problemas reais do que para celebrar alguém ou alguma coisa.
No dia seguinte, com minha inseparável companheira, resolvemos esquecer o Carnaval e buscar tecnologia, inovação e negócios, quando decidimos visitar a grandiosa estrutura do Canal do Panamá, que se diferencia logisticamente por meio de eclusas que nivelam os oceanos Atlântico e Pacífico, possibilitando o trânsito de embarcações entre eles. Uma visita incrível que, também por meio de um filme em 3D, mostrava que o homem pode criar e construir coisas extraordinárias, mesmo antes de imaginarmos, como fizeram os engenheiros franceses e americanos.
Ainda nesse período carnavalesco estendido, resolvemos esticar a viagem e subir a montanha da surpreendente Quito, no Equador, com seus quase 3.000 metros de altitude. Além de um Centro Histórico riquíssimo, considerado o maior da América Latina, e de parques exuberantes como o La Carolina, estivemos na “Mitad del Mundo”, local que divide exatamente o Hemisfério Norte do Sul, em um clima agradável de 12 graus. Ali fiquei meditando sobre a nossa Terra e os planetas, ao assistir, em um moderno planetário, a todo o sistema solar, que cada vez mais esquenta o nosso planeta, pela falta de cuidados com o meio ambiente.
Depois de um dia exaustivo, também em função da altitude de Quito, voltei a ligar o YouTube para buscar as notícias do nosso país. Ao sintonizar a Jovem Pan, vi a notícia de que a escola que homenageava Lula foi rebaixada inexoravelmente para o segundo grupo, ao ficar em último lugar na votação dos jurados. Naquele momento, um sério repórter afirmava que essa homenagem política teve mais reveses do que acertos para todos os envolvidos. Devido ao adiantado da hora, resolvi dormir sem antes saber o resultado entre Fortaleza e Ferroviário, que garantiria mais uma final para o meu Leão do Pici.
No outro dia, ainda em Quito, fomos de metrô a um restaurante que, além da culinária tipicamente equatoriana, proporcionou um belíssimo show folclórico que mostrava as raízes andinas desses povos. No final do evento, minha companheira, que comemorava novas primaveras, para rimar com as flores típicas de Quito, recebeu um surpreendente e efusivo “Parabéns pra você”, com direito a vela e um bolinho de chocolate equatoriano. Foi uma noite sensacional.
No retorno, voltei a ligar a TV para buscar novas notícias do Brasil, quando um apresentador dizia que o ministro Edson Fachin, do STF, havia arquivado uma denúncia da Polícia Federal contra o ministro Dias Toffoli, amigo do dono do Banco Master. Com tantas notícias ruins, resolvi mudar e ouvir as músicas típicas da região, como salsa e cumbia, canções que aprendi a apreciar em minhas viagens pela América Latina.
Depois de um passeio pelo Centro Histórico e já em ritmo de despedida, desisti de ver e ouvir, por enquanto, as notícias do Brasil, para não tirar as boas lembranças de nossa viagem, pois, como diz a pensadora Isis Kaline: “Viajar me faz esquecer daquilo que não quero lembrar”. Enfim, vivo no Brasil.
*Ernesto Antunes
Escritor, administrador e consultor empresarial.