Com o título “Xeque-mate”, eis artigo de Paulo Elpídio de Menezes Neto, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará. “Esquerda e direita, noves fora, zero, fizeram da política um empreendimento para conquista do Estado. Desarmadas de ideias e de propostas razoáveis, ameaçam virar o tabuleiro caso os peões montem os seus cavalos…”, expõe o articulista.
“As peças brancas sempre iniciam a partida: a regra é que o primeiro jogador fique com as pedras brancas”, Wilihelm Steinitz, “O Instrutor do Xadrez Moderno“.
Confira:
Às vezes dá para suspeitar que a chamada “direita” brasileira é cabo-eleitoral da “esquerda”. Em outros tempos, diríamos que é “colaboracionista”, pelos erros de estratégia política e eleitoral cometidos repetidamente no tabuleiro da sorte.
É como se dois macacos-prego estivessem diante de um tabuleiro de xadrez… Os jogadores não conhecem as pedras e parece ignorar as regras do jogo e a precedência das pedras.
O jogador de “esquerda” imagina estar em combate ideológico, em aguerrida luta de classes, entre reis, rainhas, damas, bispos e peões.
Já o jogador de direita supõe que os peões são da pior procedência da militância de esquerda, não conhecem o tabuleiro, menos ainda as regras do jogo, porém são amigos do rei.
Esquerda e direita, noves fora, zero, fizeram da política um empreendimento para conquista do Estado. Desarmadas de ideias e de propostas razoáveis, ameaçam virar o tabuleiro caso os peões montem os seus cavalos…
Fora do tabuleiro, a direita disputa entre seus jogadores, para decidir sobre quem fará o próximo lance.
Pouco se lhe dá se o seu bispo comerá a sua rainha…
*Paulo Elpídio de Menezes Neto
Cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará.