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“08 de Janeiro, o Plano Cohen do Governo Lula”

João Arruda, professor aposentado da UFC e sociólogo. Foto: Arquivo Pessoal.

Em artigo sobre o 8 de janeiro, o sociólogo e professor João Arruda aponta que “definitivamente, aquele não era o modus operandi dos manifestastes que até então agiam pacificamente no entorno dos quartéis ou em outras manifestações realizadas nas ruas e praças públicas”. Confira:

No prefácio da segunda edição de “O 18 de Brumário de Louis Bonaparte”, de Karl Marx, Friedrich Hegel imortalizou a frase: “A História se repete, primeiro como uma tragédia, depois como uma farsa”. Essa frase se perpetuou e hoje ela se aplica como uma luva na mão delituosa do nosso establishment. Vejamos os fatos:

Em 10 de novembro de 1937, objetivando legitimar a instalação de um governo ditatorial, o presidente Getúlio Vargas, contando com a cumplicidade das Forças Armadas e do Judiciário, anunciou à nação a apreensão de um perigoso documento que foi para a história com o nome de “Plano Cohen”. Esse forjado documento detalhava os planos dos comunistas tomarem o poder através da violência. Essa notícia, dada de forma sensacionalista e estrategicamente bem elaborada, impactou fortemente os brasileiros, legitimando a instalação da brutal ditadura Vargas, que passou a ser conhecida com o eufemismo de “Estado Novo”. Enquanto durou o seu governo, Vargas prendeu e eliminou seus opositores, cooptou a classe operária e outros setores organizados da sociedade brasileira, e manteve um rígido controle sobre a imprensa. Como a verdade tarda mas não falha, essa farsa foi denunciada detalhadamente em 1945, já nos estertores da ditadura, pelo general Góis Monteiro.

86 anos depois, estamos diante de uma nova farsa. Sentindo-se acoado pela mobilização de rua e pela total falta de apoio popular ao governo eleito, o novo establishment brasileiro armou uma nova farsa, desta vez para perseguir os seus adversários políticos e amordaçar as redes sociais. Contextualizemos os fatos:

Como sabemos, as eleições presidenciais passadas foram as mais polarizadas da história da nossa república. Durante todo o processo eleitoral foi notória a má vontade do TSE e da grande mídia em relação ao candidato Jair Messias Bolsonaro. O estabelecimento do voto auditável, como previa a constituição, foi negado sobre o pretexto de que a sua adoção implicaria altos custos e que não havia mais tempo hábil para a sua implementação. O presidente do TSE chegou, inclusive, a pressionar ostensivamente o Poder Legislativo para ele não insistisse na emissão do comprovante do voto, a nosso ver, a condição sine qua non para a comprovação da lisura eleitoral.

Durante a discussão sobre a transparência do processo eleitoral, os representantes do Ministério da Defesa, como componente legítimos do sistema de fiscalização oficializado pelo TSE, levantou alguns questionamentos, observando que os computadores do TSE tinham acessado uma rede externa para obter outros códigos-fonte ou softwares de terceiros. Os militares queriam informações pormenorizadas sobre quais estruturas foram acessadas, bem como suas localizações. Esperaram pacientemente, mas não obtiveram respostas. As eleições foram realizadas de acordo com as regras ditadas pelo ministro Alexandre de Moraes, sem que o voto pudesse ser auditado.

Com a divulgação dos resultados eleitorais, dando vitória ao candidato Lula da Silva, uma parte representativa da população, no seu legítimo direito de cidadania, passou a questionar a lisura do pleito, exigindo que o TSE divulgasse o Código Fonte das urnas eletrônica, dando transparência aos resultados das eleições. Tendo em vista a recusa do TSE em dar transparência ao processo, fornecendo o Código Fonte aos representantes das Forças Armadas na comissão de transparência, a mobilização popular aumentou. Sempre de forma rigorosamente ordeira e pacífica, centenas de milhares de brasileiros acamparam no entorno dos quarteis, pedindo apoio dos militares para que eles garantissem a transparência do código fonte. Esse acampamento se prolongou por quase três meses.

Com a posse do presidente Lula, em 01 de janeiro de 2023, as mobilizações continuaram, exigindo a transparência das urnas. Essa insistência da oposição enfurecia o presidente Lula e todo o establishment brasileiro. “Era necessário que esse movimento parasse de vez, a qualquer custo”, clamavam a grande mídia e seus cúmplices. No dia 08 de janeiro, os Brasileiros, estarrecidos, acompanharam um conjunto de vandalismo nas sedes dos três poderes.

Mesmo presenciando esses atos de vandalismo, os brasileiros, em sua maioria, perceberam que algo estava errado naquelas manifestações. De fato, eles tinham motivos de sobra para justificar a estranheza daquelas ações violentas: definitivamente, aquele não era o modus operandi dos manifestastes que até então agiam pacificamente no entorno dos quartéis ou em outras manifestações realizadas nas ruas e praças públicas.

Sem nenhuma investigação mais acurada sobre aqueles vandalismos, o STF simplesmente os classificou como movimento terrorista e mais de 2 mil manifestantes foram presos e estão sendo condenados, ao arrepio das leis, como criminosos terroristas antidemocráticos. O que se estranha nessa criminalização ilegal é o silêncio conivente da OAB, dos Direitos Humanos, dos defensores das mulheres, das minorias e da grande mídia, que insiste, uníssona, em legitimar essa criminosa narrativa.

Como essas manifestações fugiam dos padrões das ocorridas até então, parlamentares de oposição resolveram criar uma CPMI no Congresso Federal e uma CPI na Câmara Distrital de Brasília. Essa ousadia das oposições fez o governo Lula tremer nas bases, comprando votos dos parlamentares para que eles retirassem os seus nomes da lista dos que assinaram a petição da convocação da CPMI. Durante os seus funcionamentos, mesmo não conseguindo convocar notórios infiltrados e outros cúmplices daquelas depredações, as duas Comissões Parlamentares conseguiram desconstruir essa falsa narrativa, descobrindo um conjunto de sinalizações que evidenciavam não só a conivência das autoridades ligadas ao governo Lula, como é o caso do general Gonçalves Dias, ministro do GSI, que foi flagrado, pela reportagens da CNN Brasil, dando apoio aos depredadores, assim como outros militares e de dezenas de militantes lulistas infiltrados, que depredaram a sede dos três poderes e deram o álibi necessário para a montagem da grande farsa de 08 de janeiro.

E a percepção de que houve infiltração de agitadores profissionais para criminalizar o movimento é compartilhada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele, em declaração ao jornal Folha de São Paulo, que circulou no dia 8 de janeiro, afirmou que “houve falha dos órgão de inteligência, não sabíamos exatamente quais as ramificações. Sabíamos que havia gente treinada invadindo, tanto que a Polícia Federal continua investigando 200 pessoas de preto. Procedimento de forças especiais mesmo, pessoas treinadas”. Essa afirmação de Alexandre de Moraes foi repetidamente confirmada pelas duas Comissões Parlamentares de Inquérito.

Mas a cumplicidade do STF na elaboração dessa farsa golpista nos é confirmada pelo ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, que em evento realizado pela UNE, entidade notoriamente ligada ao governo Lula, disse de maneira enfática: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Essa sua confissão foi histericamente aplaudida pela plateia presente. Mais recentemente, o também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, revoltado com o voto do senador petista, Jaques Wagner, afirmou que “muitos políticos não estariam onde estão hoje se não fosse o STF, incluindo o presidente Lula”, político que eles tiraram da prisão para ser o candidato do sistema.

No dia 08 de janeiro do corrente ano, em ato político para comemorar o primeiro aniversário da farsa golpista, antecedido por uma intensa campanha midiática, ao preço de milhões de reais do bolso do contribuinte brasileiro, o presidente Lula, o ministro Alexandre de Moraes e a governadora do Rio Grande do Norte fizeram raivosos discursos contra o ex-presidente Bolsonaro, contra os opositores e deixaram claro que não perdoarão os terroristas presos – “não haverá anistia para os que atentaram contra a democracia” – e que censurarão as redes sociais.

Felizmente, esse ato político comemorativo se caracterizou pelo notório esvaziamento. Dos 27 governadores, apenas 12, principalmente os do Nordeste, compareceram. Só a título de informação, os 15 governadores ausentes governam os estados que, em conjunto, representam 80% do PIB brasileiro. Mais de 2/3 dos parlamentares (senadores e deputados) se recusaram a participar dessa farsa, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira. Para fecha com chave de ouro o fracasso desse famigerado ato político, o jornal digital Poder 360, para desespero do sistema e do universo de reacionários que infestam a nação brasileira, publicou uma pesquisa de opinião que constatou que apenas 18% dos brasileiros acreditam que houve tentativa de golpe em 08 de janeiro de 2023.

Pelo que vemos, Friedrich Hegel tinha razão em sua célebre frase citada no início desse artigo. No Brasil, a história se repetiu como farsa, a narrativa golpista está sendo desmascarada e o REI (o establishment) ESTÁ NÚ.

João Arruda é professor aposentado da UFC e sociólogo

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3 respostas

  1. Triste, ver o João, escrever tanta bobagem, inverdades, reproduzindo mentiras, de uma direita fanática. Não é o João que conheci.

    1. João Arruda é uma pessoa coerente e de princípios. Foi meu professor lá na UFC, irmão do também eminente colega José Maria Arruda, médico e ex vereador do PT em Fortaleza. São pessoas honradas, que deixaram a esquerda por não compactuarem com os desmandos do PT.
      Tiro o meu chapéu para esses honrados cidadãos cearenses.

    2. Esse é o João realista e a cada dia evoluindo! A cegueira dos apoiadores do atual governo federal é doentia! Em busca da Verdade e dos fatos, Dr João! Parabéns João Arruda pela exposição de fatos e dos cenários escuros! Vigiai! José Filho, J3F!

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