“4×1” – Por Tales M. de Sá Cavalcante

Lúcio Brasileiro, o Paco.

Com o título “4X1*, eis artigo de Tales M. de Sá Cavalcante, reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras.

Confira:

As grandes semelhanças entre duas pessoas nos impressionam. Porém, eles eram quatro. E muito semelhantes! Ótimos conversadores e notáveis contadores de Histórias e histórias, nunca faziam nem desejavam mal a alguém, nem a inimigos, que, aliás, não os tinham. Possuíam muitos amigos, porém cada um convivia melhor com o seu próprio ser.

O saudoso médico Haroldo Juaçaba aconselhou-os a residir fora de Fortaleza. Na época, faltava a energia elétrica para o Cumbuco. Por seu pai, governador Waldemar, Lúcio Alcântara, também médico, e, segundo eles, ex-quase tudo, deu a luz e ainda hoje ilumina o Ceará. No livro de Reginaldo Vasconcelos, Nadja Parente elenca várias qualidades do quarteto: “competência e aptidão como jornalistas, simplicidade, excepcionais inteligência, memória e competência, carisma, credibilidade, delicadeza, elegância e de fácil envolvimento”.

Os quatro seguiam a citação de Mario Quintana: “Viajar é trocar a roupa da alma”. Decidiram ir a Ibiza juntos numa só poltrona. Afinal, Newton Quezado, Lúcio Brasileiro, LB e Paco eram heterônimos de Francisco Newton Quezado Cavalcante. Nasceu em Aurora, cidade a lembrar amanhecer e renascimento, palavras que nos remetem a um vencedor com o mérito de plantar e cultivar a amizade de amigas e amigos, com Wilma Patrício em 1º lugar.

O também saudoso médico Régis Jucá dizia: “O mal do Lúcio Brasileiro é pensar que é o Lúcio Brasileiro”. Batizava pessoas e coisas, e, como cinéfilo fanático, em especial por Casablanca, criou o Cine Pedra da Costa, em homenagem aos anfitriões Regina e Adriano. Ele (como às vezes se chamava) era amigo irmão de meu tio Hermenegildo de Sá Cavalcante, que era irmão por DNA do frade Dom Jerônimo.

A este, LB indagou: “O que é pecado?” E ouviu o que adorava repetir: “O único pecado é a falta de amor”. Seu desejo era chegar à bucólica Ibiza, na Espanha, seu lugar preferido para viver e para, em algum dia, deixar de viver. Viajou até Lisboa e depois iria à ilha. Não voou a Ibiza. A deixar saudades, seu voo foi outro. Qual voo? E qual o novo destino? Se existe um lugar reservado aos bons, lá ele está.

*Tales M. de Sá Cavalcante

Reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras.

tales@fariasbrito.com.br

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