Com o título “85 anos depois – Quem cuida de quem cuida?”, eis artigo de Quintino Neto, presidente do Sindsaúde Ceará. “Sindicato não é uma entidade distante dos trabalhadores. Sindicato é trabalhador organizado. É a força coletiva de quem entende que problemas coletivos não se resolvem individualmente”, expõe o articulista.
Confira:
Há 85 anos, trabalhadores da saúde do Ceará entenderam algo que ainda é muito atual: sozinhos, somos mais vulneráveis. Juntos, temos mais força para reivindicar e transformar.
De lá para cá, a saúde mudou. Novas tecnologias e profissões passaram a fazer parte do cuidado. Mas quem está nos hospitais, UPAs, postos e demais serviços sabe que nem sempre essa evolução chegou para quem sustenta o atendimento na ponta.
Hoje, muitos trabalhadores enfrentam sobrecarga, vínculos precarizados, jornadas exaustivas, falta de estrutura e cobrança por resultados. Enquanto isso, quem cuida da população precisa lutar pelo básico: salário digno, condições de trabalho, respeito e reconhecimento.
É nesse cenário que a história do movimento sindical continua fazendo sentido.
Nenhum direito nasceu pronto. Antes de ser conquista, foi reivindicação. Antes de estar no contracheque, foi luta. Alguém precisou se organizar, ocupar espaços e dizer que aquela realidade não podia continuar.
Por isso, celebrar os 85 anos do Sindsaúde Ceará não é apenas olhar para o passado. É olhar para o presente e perguntar: se ainda existem tantos desafios para quem trabalha na saúde, quem vai enfrentá-los?
Esta pergunta precisa ser feita por toda a categoria. Quantos de nós usufruímos de direitos conquistados por trabalhadores que vieram antes? E quantos estaremos dispostos a participar quando for nossa vez de defender os próximos?
Sindicato não é uma entidade distante dos trabalhadores. Sindicato é trabalhador organizado. É a força coletiva de quem entende que problemas coletivos não se resolvem individualmente.
Os desafios de hoje exigem participação. A saúde precisa de investimento, mas também precisa valorizar quem faz o serviço acontecer já. Não existe cuidado de qualidade sem trabalhadores respeitados e valorizados.
Os 85 anos do Sindsaúde são uma celebração, mas também um chamado. Quem veio antes fez sua parte. Nós precisamos fazer a nossa. E os próximos capítulos dependerão da capacidade de a categoria permanecer unida.
Porque quem cuida da saúde da população também precisa ter quem lute por seus direitos.
*Quintino Neto
Presidente do Sindsaúde Ceará.