“A escola deve ser uma caixa de ressonância de tudo isso, dessas ideias, desse coletivismo, que a nós precisa pertencer”, aponta o professor João Teles
Confira:
A educação antirracista precisa ser um compromisso de todos; a sociedade precisa se preocupar com isso e as famílias e as escolas, lançar luzes, sobre o tema. É bem necessário que isso ocorra.
E essa preocupação é um compromisso político e pedagógico permanente, que vai muito além de muita coisa; como por exemplo do conceito de ser racista (ou não) ou de debater o assunto, espinhoso, às vezes, para muita gente. Na escola, por exemplo, tem que ser visto ou revisto o currículo e as práticas cotidianas professorais e de gestão. Para isso, em muitos casos, se faz necessário revisar conteúdos, ajustar peças, corrigir rumos.
Estudar, respeitar e valorizar a história afro-brasileira, é fundamental, para garantir o reconhecimento e a representatividade dela; muitos de nós viemos de lá (África) ou somos netos, bisnetos, trinetos de pessoas que de lá vieram; lá pulsa nosso sangue, nossas raízes… Não podemos e nem devemos fugir disso.
Então, a escola deve ser uma caixa de ressonância de tudo isso, dessas ideias, desse coletivismo, que a nós precisa pertencer. Nesse contexto, o racismo estrutural, que existe, não adianta negar, tem que ser enfrentado, com a aplicação da Lei nº 10.639/2003, “que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, em todas as escolas públicas e particulares de ensinos fundamental e médio no Brasil.”, diz o texto oficial. O objetivo principal da legislação é combater pra valer o racismo e reconhecer o papel fundamental das pessoas negras, na formação da sociedade nacional.
Dito isso, que escolas e famílias façam a lição de casa: espalhem essa notícia, levem a boa-nova à crianças, adolescentes e jovens em geral. E que o restante da sociedade (sindicatos de trabalhadores, entidades patronais, órgãos públicos e privados) não se omita. Discutir esse tema em família, nas igrejas e não só no rádio e na TV, tem que fazer parte do jogo!
A vida dos nossos irmãos negros precisa e deve ser preservada, sempre. Seja no Ceará, no Brasil e no Mundo todo!
João Teles de Aguiar
Professor, historiador e integrante do Projeto Confraria de Leitura