Com o título “A Agonia do Coreaú”, eis artigo de João Teles de Aguiar, professor e historiador. “Todos devem amar seu rio. E, por gostar muito dele, tem que cuidar; só verbalizar que o ama, não chega. Tem-se que praticar esse gostar, cuidando de sua mata ciliar, de suas ribanceiras e de seu leito; pode-se gostar também, escavando, construindo diques, paredões, dragando, aprofundando…”, expõe o articulista.
Confira:
O rio Coreaú, diz a Geografia, “nasce na confluência dos riachos Jatobá e Caiçara, oriundos do sopé da Serra da Ibiapaba, e desenvolve-se (praticamente sentido sul – norte), por 167,5 km, até o Oceano Atlântico.”
Pois bem, o Coreaú fica no vale de mesmo nome e está precisando de cuidados, principalmente nos trechos urbanos. É de lei, mas nem sempre isso ocorre. O manancial, que passa por Frecheirinha, Mucambo, Ubajara, Coreaú, Moraújo, Uruoca, Granja e Camocim, deságua no Oceano Atlântico e vai gemendo e reclamando, enquanto corre; mesmo sem ser escutado.
Em poema diz-se assim: “Ele muito reclamou/Fez um rasgo, deu um grito/Lá nas margens dele não/Plantaram nem um sebito/Derrubaram suas matas//E fizeram até cambito!//Sua dor nunca se ouviu/Sua ribanceira era/Uma cabra sem cabrito/E seu leito, que se esmera/Na História sempre foi/O Olimpo, sem a Hera!”
Infelizmente, a dor de um rio nem sempre é notada. Fernando Pessoa, através do seu Alberto Caeiro, diz: “O Tejo é mais belo que o rio que corre, pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
Todos devem amar seu rio. E, por gostar muito dele, tem que cuidar; só verbalizar que o ama, não chega. Tem-se que praticar esse gostar, cuidando de sua mata ciliar, de suas ribanceiras e de seu leito; pode-se gostar também, escavando, construindo diques, paredões, dragando, aprofundando… Mas a prática, é muito mais a omissão; faz-se vista grossa, invadem suas margens e matas ciliares, de forma vil e criminosa.
Se o rio emoldura (ou deveria) a cidade, porque o querem destruído? Pra construir mais casas e apartamentos? Cercar, colocar gado? Por que não se faz isso em outro lugar? Por que não o deixam em paz? Claro, por maldade, ganância, desamor ao meio ambiente, de onde retiramos tanta coisa boa.
As cidades em geral, não fazem nem a lição de casa: educar as pessoas, conscientizar ou forçar isso, até via Justiça. Tem gente que só aprende na marra ou com boas multas. É até triste afirmar isso, mas, é assim que as coisas funcionam melhor.
*João Teles de Aguiar
Professor e historiador, integrante do Projeto Confraria de Leitura>