“A força da juventude no segundo turno de 2026” – Por Cleyton Monte

Cleyton Monte é cientista político. Foto: Divulgação

Com o título “A força da juventude no segundo turno de 2026”, eis artigo de Cleyton Monte, cientista político, professor universitário e diretor do Instituto Centec. “Mais do que reconhecer a contribuição dos jovens durante a campanha, será necessário compreender suas demandas e criar canais efetivos de participação nas decisões públicas. A eleição de 2026 deixou uma lição que ultrapassa a vitória de Lula: a juventude passou a ocupar novos espaços na construção do debate político brasileiro”, expõe o articulista

Confira:

A vitória de Lula revelou mais do que a capacidade de recuperação de uma candidatura em uma disputa acirrada. Trouxe para o centro do debate político a força de uma juventude que encontrou nas redes sociais, nas manifestações de rua e nas novas formas de comunicação espaços de participação e mobilização. Em uma eleição marcada pela polarização e pela disputa de narrativas, os jovens demonstraram que a política continua despertando interesse, embora suas formas de organização estejam passando por profundas transformações. A diferença apertada evidenciou a importância da mobilização eleitoral, especialmente diante do desafio de reduzir a abstenção e ampliar o comparecimento às urnas. Nesse contexto, a participação da juventude ganhou visibilidade não apenas nas atividades de campanha, mas também na produção de conteúdos, circulação de informações e construção de novas linguagens políticas.

Durante muito tempo, a participação dos jovens esteve associada aos movimentos estudantis, organizações partidárias e manifestações tradicionais. Essas formas de atuação continuam relevantes, mas passaram a conviver com uma dinâmica mais descentralizada. Influenciadores digitais, youtubers, criadores de conteúdo e comunidades virtuais tornaram-se atores importantes na disputa política. A comunicação eleitoral deixou de depender exclusivamente das estruturas partidárias e passou a ocupar os espaços onde milhões de brasileiros se informam, conversam e constroem suas opiniões.

Nesse ambiente, a mobilização em torno de Lula ganhou novos formatos. A participação de influenciadores, parlamentares e grupos organizados nas redes, como o Exército do Lula, exemplificou a importância da comunicação digital na campanha. Mais do que reproduzir discursos tradicionais, esses movimentos buscaram aproximar o debate político das questões do cotidiano.

A reeleição de Lula, nesse contexto, recoloca uma questão importante para o próximo mandato: como estabelecer um diálogo permanente com uma geração que não se satisfaz apenas com referências às conquistas históricas? Mais do que reconhecer a contribuição dos jovens durante a campanha, será necessário compreender suas demandas e criar canais efetivos de participação nas decisões públicas. A eleição de 2026 deixou uma lição que ultrapassa a vitória de Lula: a juventude passou a ocupar novos espaços na construção do debate político brasileiro. O desafio que se impõe aos governos, partidos e instituições é transformar essa energia eleitoral em participação política
permanente. Afinal, a força da juventude não está apenas em sua capacidade de influenciar uma eleição, mas em seu potencial de transformar a própria maneira de fazer política.

*Cleyton Monte

Cientista político, professor universitário e diretor do Instituto Centec.

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