“Luizianne terá que prestar contas dos 12 anos em Brasília, além de rastros e contradições que alimentam sua rejeição em Fortaleza”, aponta p jornalista Norton Lima, Jr
Confira:
A esquerda comemora a escolha da deputada federal Luizianne Lins para disputar o Senado. Mas não há o quê comemorar. Todas as cadeiras do Abolição ao Pajeú sabiam que Camilo Santana e Evandro Leitão vetavam a Lôra. Sua escolha desmoralizou Camilo e transformou em incerteza a reeleição do Leitão.
Como no efeito dominó, as pedras nunca caem só, a confusão instalada alcança até quem a queria. A indicação de Luizianne representa a segunda derrota do Camilo em menos de 24 horas. Perdeu no tapetão do TRE. E perdeu no diretório do PT, maldosamente chamado de tapetão do Agropolos, ONG com convênio de 650 milhões/ano do governo do Ceará. Enfraquecer Camilo e Leitão fortalece Elmano?
Elmano também ficará mais dogmático, perderá o centro; e o senador Cid Gomes, bajulado como estrategista, atraiu para a disputa alguém com mais potencial de votos do que ele. Cid agora precisa ser puxado. Teve 41% dos votos em 2018, hoje estaria com 22%. E ainda enfrenta a rejeição pelo “Lula-tá-preso-babaca”, mais o arquétipo Caim — sem Ciro Gomes (que o chama de traidor), sem Ivo Gomes (que o chamou de marionete do Camilo), sem Lúcio Gomes (suplente do arqui-adversário Capitão Wagner).
O jogo do poder aconselha a autopreservação; não a autofagia, algo recorrente desde as priscas eras do PT, quando los compañeros duraban los guerrilleros.
Pois, pois, o pior vem depois. Uma vez eleita senadora, ninguém duvida, a Lôra, uma força da natureza, voltará com a faca nos dentes e mais legitimidade para retomar o pólo divergente a Camilo, onde Leitão também está.
Luizianne derrotou Camilo na queda de braço. Por certo, Camilo saiu com hematomas, mas hematoma não é rendição numa luta. Luizianne também terá que prestar contas dos 12 anos em Brasília, além de rastros e contradições que alimentam sua rejeição em Fortaleza. Luizianne foi eleita e reeleita prefeita, mas tentou voltar duas vezes e sequer foi para o 2º turno. Tentou uma terceira vez e foi rejeitada dentro do próprio partido. Saiu do PT batendo à porta e meia hora depois pediu pra voltar arrependida.
Cabe agora desvendar o enigma: “O homem que inventou isso não o queria; quem o comprou não precisava; quem usava não sabia. O que é isso?” É o caixão onde está o eleitor, enterrado vivo, sob promessas de sair do buraco — algo que quanto mais você tira, maior fica.
Norton Lima, Jr é jornalista