“A verdadeira batalha após a outra no Oscar 2026” – Por Salomão de Castro

Salomão de Castro é jornalista.

Com o título “A verdadeira batalha após a outra no Oscar 2026”, eis artigo de Salomão de Castro, jornalista, diretor da Associação Cearense de Imprensa (ACI) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ele aborda a festa do Oscar e os bastidores de uma transação bilionária no mundo do entretenimento.

Confira: 

A poucos dias da realização do Oscar 2026, neste domingo (15 de março), o clima é intenso não apenas entre os cinéfilos, mas nos bastidores da indústria audiovisual. Em uma temporada marcada pela imprevisibilidade nas grandes categorias, sem favoritismos amplamente consolidados, há um raro consenso: o prêmio de melhor filme deverá ir para a Warner Bros. Discovery, um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood. Explica-se: os dois principais longas em disputa, “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, e “Pecadores”, de Ryan Coogler, ambos da Warner, são considerados, nesta ordem, os mais cotados para vencer o maior prêmio da noite. Juntos, reúnem 29 indicações e tendem a sair como os principais vitoriosos na cerimônia, dividindo diversas categorias.

Mas, enquanto se aguarda a divulgação dos resultados da premiação, uma outra batalha que envolve a Warner se dá nos bastidores. No mais recente lance, no dia 27 de fevereiro, a Paramount Skydance Corporation, em conjunto com a WBD, anunciou um acordo definitivo de fusão, pelo qual adquiriu a Warner para formar “uma empresa global líder em mídia e entretenimento”. O negócio foi concluído depois da desistência da Netflix, em um processo que se estende desde 2025.

A Netflix, que se encaminhava para comprar a Warner Bros. por US$ 82,7 bilhões (cerca de R$ 440 bilhões), avisou que não faria uma contraproposta para tentar superar a oferta da Paramount, que superou US$ 110 bilhões (ou R$ 565 bilhões). Na atual temporada, dois títulos da Netflix estão na disputa pelo Oscar de melhor filme: “Frankenstein”, de Guillermo Del Toro, e “Sonhos de Trem”, de Clint Bentley (uma das indicações neste caso é a de melhor fotografia, do brasileiro Adolpho Veloso).

O desfecho da negociação foi comemorado por parcela expressiva dos cinéfilos preocupados com a vitalidade das salas de cinema. A avaliação inicial era a de que o comando da gigante do streaming tenderia, historicamente, a priorizar lançamentos sob demanda, esvaziando a experiência de ir às salas. Agora, por outro lado, os pessimistas apontam o risco de os filmes se tornarem influenciados pelo controle do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Paramount.

Mas o processo segue em andamento. Caso a transação não seja concluída até 30 de setembro deste ano, os acionistas da WBD receberão uma “taxa de acompanhamento” de US$ 0,25 por ação por trimestre (calculada diariamente) até a conclusão do negócio.

No dia 9 de março, matéria da Reuters registrou que Trump comprou mais de US$ 1,1 milhão ⁠em títulos da Netflix nos últimos três meses, enquanto a gigante do streaming lutava contra ‌a Paramount para comprar a Warner, conforme informações do governo.

Na ponta do lápis, o presidente dos Estados Unidos teria comprado mais de US$ 500 mil em títulos da Netflix em duas transações nos dias 12 e 16 ‌de dezembro de 2025, e outros US$ 600 mil em duas negociações nos dias 2 e 20 de janeiro deste ano, conforme mostraram documentos divulgados pelo governo. A Casa Branca informou uma faixa de valores, em vez de quantias exatas, entre pouco mais de US$ 1,1 milhão e US$ 2,25 milhões.

Ainda conforme a Reuters, as aquisições ocorreram enquanto o republicano e seus funcionários da área regulatória criticavam a Netflix na imprensa, questionando se o acordo ⁠resistiria ‌ao escrutínio antitruste e pressionando a companhia a demitir a membro do conselho Susan Rice, ex-assessora ⁠do ex-presidente democrata Barack Obama.

A negociação que resultou no acordo entre Warner e Paramount lançou luzes sobre a discussão em relação ao futuro das salas de cinema, diante do debate quanto à possível aquisição da WBD pela Netflix, o que não se concretizou.

No Brasil, a temporada nas telas foi produtiva. O G1 mostrou que mesmo competindo com orçamentos milionários de Hollywood, “O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho, consolidou-se como o filme mais assistido no Brasil entre todos os dez indicados ao Oscar de melhor filme. Neste domingo, o longa disputa ainda os prêmios de melhor filme internacional, ator (Wagner Moura) e direção de elenco.

O longa já somou, até 12 de março, 2.464.071 ingressos vendidos, superando com folga títulos como “Fórmula 1” e “Pecadores”. Entre os indicados à estatueta principal da Academia, “O Agente Secreto”, disponibilizado na Netflix desde 7 de março, possui o menor orçamento da lista. Conforme levantamento da “Filme B Box Office Brasil”, atualizado até 10 de março, os resultados dos indicados a melhor filme nas bilheterias nacionais foram os seguintes:

1) “O Agente Secreto”: 2.464.071
2) “Fórmula 1 – O Filme”: 1.428.094
3) “Pecadores”: 866.571
4) “Hamnet: A vida antes de Hamlet”: 499.180
5) “Marty Supreme”: 407.091
6) “Uma Batalha Após a Outra”: 403.808
7) “Valor Sentimental”: 195.725
8) “Bugonia”: 74.216

Em âmbito mundial, o site Omelete reuniu um ranking com a bilheteria dos indicados a melhor filme, a partir de informações do site Box Office Mojo com arrecadação de cada longa até o dia 10 de março. Entre os indicados, “Frankenstein”e “Sonhos de Trem”, da Netflix, tiveram circuito restrito nas telonas e, portanto, arrecadação abaixo da média.

Confira a lista abaixo:

“Fórmula 1 – O Filme”: US$ 633 milhões
“Pecadores”: US$ 370 milhões
“Marty Supreme”: US$ 274 milhões
“Uma Batalha Após a Outra”: US$ 209 milhões
“Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”: US$ 96 milhões
“Bugonia”: US$ 42,9 milhões
“Valor Sentimental”: US$ 21,9 milhões
“O Agente Secreto”: US$ 17 milhões
“Frankenstein”: US$ 144 mil (filme lançado pela Netflix com lançamento limitado nos cinemas)
“Sonhos de Trem”: US$ 0 (filme lançado pela Netflix com lançamento limitado nos cinemas)

Confira matéria sobre a participação do Brasil no Oscar 2026 no link https://tinyurl.com/kpzvwe27.

No Brasil, o Oscar 2026 será transmitido ao vivo pela TV Globo (aberta), pela HBO Max (streaming) e pela TNT (TV fechada). A cerimônia do Oscar 2026 será realizada neste domingo, 15 de março, às 20 horas (horário de Brasília), no teatro Dolby, em Los Angeles (Estados Unidos). A cobertura do evento começa antes, ainda no tapete vermelho, onde são recepcionados os convidados da noite:

– 18h30min: começa a transmissão da HBO Max e da TNT, com a cobertura do tapete vermelho e com comentários sobre os concorrentes;

– 21 horas: início da transmissão da Globo, com apresentação de Maria Beltrão, participação especial de Dira Paes e comentários de Waldemar Dalenogare. A cobertura terá repórteres no tapete vermelho, com entrevistas e curiosidades sobre a cerimônia.

Acompanhe a cobertura do Oscar 2026 na live https://www.youtube.com/live/I06RCDBBqpA?si=8ZgfUQ90Qkyl5rf3, a partir das 18 horas deste domingo. A apresentação será de Felipe Haurelhuk, tendo Claudio Formiga, Aline Guevara e Donny Correia como convidados.

*Salomão de Castro

Jornalista, diretor da Associação Cearense de Imprensa (ACI) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

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