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“A vida passa entre uma Copa e outra” – Por Paulo Rogério

Paulo Rogério é jornalista.

“Para recordar de algo mais antigo, minha parca memória recorre ao meu banco de dados dos Mundiais. Se aconteceu antes ou depois de determinada Copa”, aponta o jornalista Paulo Rogério

Confira:

Onde você estava na última Copa do Mundo? E na conquista do Penta, você lembra da final? Para quem gosta de futebol, a disputa de um Mundial de seleções é o ápice da emoção, o êxtase do esporte. E aí vale guardar o pôster do craque da competição, tirar foto ao lado de réplicas da taça, colecionar figurinhas e vídeos.

Tem gente que usa a disputa do Mundial como referência de lembranças da vida. Eu, por exemplo, sou desse time. Para recordar de algo mais antigo, minha parca memória recorre ao meu banco de dados dos Mundiais. Se aconteceu antes ou depois de determinada Copa, vou na caixinha dos quatro anos que separa uma da outra para me situar e relembrar. Parece coisa de doido e é mesmo.

Motivos para guardar essa tática como referência não me faltam. Nasci em ano de Mundial, o de 62, quando o Brasil foi bicampeão. Mamãe estava com barriguinha de 4 meses quando Garrincha fez a festa no Chile. Ainda bem que não tinha transmissão pela TV na época, era tudo pelo rádio, o que evitou que ela levasse sustos inúteis na gravidez.

Não lembro da Copa de 66, era muito novinho, mas a de 1970, aos sete anos, acompanhei ao vivo o show de Pelé, Jairzinho e Cia. É desse ponto em diante que começo a ligar os fatos do dia a dia em conjunto com a competição. Em 74, ainda estava em São Paulo, um frio danado, na casa onde adivinhava os carros que passavam pelo barulho do motor, relatado em crônica anterior.

Mais quatro anos, já adolescente, peguei raiva dos argentinos e peruanos por toda aquela armação. Aliás, até hoje fico indignado quando vejo um brasileiro com a camisa da Argentina. Duvido que os Hermanos usem a blusa de nossa seleção pelas ruas. Lembro bem a Copa de 82. Assisti aquele jogo contra a Itália em um restaurante que já não existe mais, na avenida Bezerra de Menezes. Era hora do almoço. Paolo Rossi deu a indigestão. Anos depois, entrevistei Rossi em um hotel, na Beira Mar, e lhe falei do desconforto. Ele pediu desculpas e deu risadas.

Nunca imaginaria que na Copa seguinte estaria casado e chorando porque a França acabou com o sonho que tinha de ver meu filho também sendo campeão – assim como eu – no ano de seu nascimento. Engraçado com as coisas vão acontecendo de forma rápida, assim de 4 em 4 anos. Faça essa reflexão, veja como fica seu filme com esse roteiro de fundo.

A Copa de 90 foi diferente. Já estava formado, trabalhando no jornal impresso. Era minha primeira copa. E logo na Editoria de Esportes. Aquela eliminação, logo diante da Argentina, foi marcante. Acompanhei o 1º tempo ao lado das irmãs do Colégio da Imaculada Conceição. Era eu, o fotografo, o motorista e duas freiras. A cada lance perigoso, uma exclamação, um cafezinho e um biscoitinho.

– Oh, meu Deus! dizia uma delas.

– Vamos, vamos, chuta, completou a outra, se contorcendo na cadeira.

E eu olhando, anotando e mantendo a postura profissional. Deus sabe que, por dentro, a vontade era de falar algo menos recomendável para o ambiente. Saímos no intervalo para a segunda etapa da pauta – até hoje acho que foi um castigo de meu editor. Seja como for, acabou sendo uma lição para além do jornalismo.

Do convento seguimos para a comunidade do Pirambu. O clima era outro, nada de receptividade. Nem todos tinham TV. Quem tinha, recebia os vizinhos, os desconhecidos e a parentada. Entre uma brecha e outra da pequena casa que paramos, deu para ver o Maradona estraçalhando a defesa e deixando Caniggia na cara de Taffarel para marcar. E tome mais quatro anos pela frente.

E assim andamos por mais outras 8 Copas, incluindo as vencidas em 94 e 2002. Na última, em 2022, já aposentado, estava em Imperatriz (MA). Lembro de todas as outras e, principalmente, o que aconteceu entre elas, com suas perdas e ganhos, as idas e vindas. O resumo de uma vida entrecortando cada uma dessas Copas.

E fica a questão agora, quando estamos perto de começar outro Mundial: onde estarei na Copa do Mundo de 2030? Onde você estará?

Paulo Rogério
Jornalista
paulorogerio42@gmail.com

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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