“Temos uma seleção, até agora, apática, cheia de discurso bonito e de futebol burocrático”, aponta o jornalista Paulo Rogério
Confira:
Um detalhe me chamou a atenção do gol da Seleção Brasileira contra Marrocos. Não foi o drible de Vinicius Júnior, a construção da jogada – até porque não houve – ou a potência do chute. Mas sim a falta de empolgação dos próprios atletas para comemorar o empate. Parecia um lance qualquer de um amistoso e não o primeiro gol, na estreia em um mundial. Uma apatia, confesso, que preocupante.
Se você tiver um tempinho, reveja o lance nos inúmeros vídeos que circulam por aí. Depois do drible e do gol, só quem sai correndo para a galera é Vini Jr, por motivos óbvios, e Bruno Guimarães, que estava ao lado dele. Paquetá ainda levantou os braços. E só. Enquanto a gente se esgoelava por aqui comemorando, Casemiro se arrastava para ir abraçar o artilheiro. Parecia mais um daqueles prisioneiros antigos, que tinham uma bola de ferro amarrada aos pés. Foi o último a chegar, depois até dos zagueiros que tinham saído do outro lado do campo.
O gol não é apenas um detalhe do futebol, como dizia o velho lobo Zagallo. O gol é o êxtase do futebol, o objetivo de tudo. Para quem joga, é o orgasmo, múltiplo e interminável. O gol é como dar um beijo na mulher amada, sentir o sabor e o cheiro dela. É como dar uma topada na rua e soltar aquele palavrão bem alto. É algo para ser inesquecível, vibrante.
Não foi o que vi em campo. Temos uma seleção, até agora, apática, cheia de discurso bonito e de futebol burocrático. Difícil acreditar que muitos ali nasceram em meio à pobreza e lutaram muito para chegar na elite mundial. Ou seja, não faltam motivos para a pessoa estar bem estimulada ao vestir a amarelinha. Nem mesmo o saldo em conta. Tem gente ali que recebe até R$ 1 milhão por dia. É muito dinheiro para quem estar chutando de canela. Não dá para ficar embolando o meio-campo.
Já que a crônica hoje é sobre a Copa 2026, uma das novidades ficou para a briga entre os canais de transmissão. Essa ideia de distribuir antenas digitais para a população foi um golpe de marketing, a meu ver, contraditório. Afinal, Globo – que liderou distribuição = e SBT estão transmitindo alguns poucos jogos. Se eu quero ver todos eles, eu vou é para a CazéTV, no Youtube, onde não precisa de antena digital. Tem diferença de tempo? Tem, mas é bom assim ninguém fica com problemas cardíacos.
Por falar em Copa, já aprendi nesse Mundial que em Cabo Verde nem tem Cabo algum e muito menos Verde. E que Curaçau é um pequeno país no Caribe, com cerca de 160 mil habitantes, e que passou a ser o novo membro, ao lado do Brasil, do clube dos que perderam de 7×1 para a Alemanha.
Bem-vindo ao clube dos 7×1, Curaçau!
Paulo Rogério
Jornalista
paulorogerio42@gmail.com