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“Açudes – Triste Fim Silencioso” – Por Nizomar Falcão

Nizomar Falcão é PhD e engenheiro agrônomo da Ematerc.e

Com o título “Açudes – Triste Fim Silencioso”, eis artigo de Nizomar Falcão, PhD e engenheiro da Ematerce. “Se continuarmos perdendo 1% da nossa capacidade de armazenamento anualmente, o futuro próximo nos reserva uma conta matemática insustentável”,expõe o articulista.

Confira:

Existe uma ameaça oculta que está acontecendo nos açudes e barragens no Semiárido: Sedimentos – o que causa a morte silenciosa dos reservatórios.

Para o observador desatento que contempla um açude sangrando ou um grande lago espelhando o sol do sertão, a sensação é de segurança hídrica absoluta. Aparentemente, está tudo bem. No entanto, sob a superfície serena dessas águas, esconde-se uma das maiores e mais silenciosas armadilhas ambientais do Semiárido: a ameaça dos sedimentos. A diminuição drástica da capacidade de armazenamento dos nossos reservatórios é um problema invisível aos olhos, pois repousa submerso, no fundo do lago. Onde antes havia espaço para acumular água essencial para os anos de seca, hoje há um acúmulo contínuo, letal e progressivo de terra, areia e detritos. A Matemática do Assoreamento e a Armadilha da Água – O avanço do desmatamento e a degradação acelerada do solo nas áreas de bacia hidrográfica retiraram a proteção natural da terra.

Sem a cobertura vegetal, as chuvas – que no Semiárido costumam ser concentradas e torrenciais – lavam o solo desprotegido, arrastando toneladas de sedimentos diretamente para o leito dos rios, barragens e açudes, causando: (i) Perda Anual – Estima-se que esse processo de erosão e assoreamento reduza a capacidade de recarga e armazenamento dos reservatórios em um volume de em torno de 1% ao ano; (ii) Ilusão de Ótica – Com o fundo cada vez mais raso pelo acúmulo de sedimentos, o açude atinge sua cota máxima e “sangra” muito mais rápido. Isso cria na sociedade e nos gestores a falsa impressão de abundância hídrica, quando, na verdade, o volume real de água armazenada está sendo estrangulado.

Os Impactos Futuros (Colapso Anunciado)

Se continuarmos perdendo 1% da nossa capacidade de armazenamento anualmente, o futuro próximo nos reserva uma conta matemática insustentável. Essa redução progressiva e submersa impacta diretamente a espinha dorsal da sobrevivência e do desenvolvimento regional: (iii) Abastecimento dos Centros Urbanos – A segurança hídrica das cidades fica gravemente comprometida. Reservatórios assoreados formam espelhos d’água muito mais rasos, o que acelera brutalmente o processo de evaporação sob o sol do sertão.

Com isso, o tempo que a água consegue abastecer a população durante os veranicos ou ciclos do El Niño é drasticamente encurtado; (iv) Projetos Hidroagrícolas – A agricultura irrigada e os grandes perímetros produtivos, que dependem de estabilidade e previsibilidade de outorga d’água, perdem sua principal garantia de operação. A falta de capacidade de armazenamento coloca em risco a produção de alimentos, a geração de renda e a permanência do homem no campo. Solução? O Recaatingamento (filtro do Reciprocidalismo).

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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