“Ainda existe Jornalismo” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela UFC. Foto: Reprodução

Com om título “Ainda existe Jornalismo”, eis artigo de Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. “Ainda bem que existe o The Intercept Brasil para nos lembrar que o jornalismo investigativo sério não desapareceu do país”, expõe a articulista.

Confira:

Tenho 40 anos de jornalismo e uma gratidão enorme por ter vivido esse ofício dentro das redações e convivido com profissionais comprometidos com a verdade e com a ética. Nesses anos todos, participei de investigações delicadas e de reportagens que provocaram debate público, embora quase nunca tenham produzido a mudança necessária no comportamento do poder público.

Escrevo essa reflexão porque vejo que parte do mainstream media não está interessada em informar à sociedade. Ela opera movida por interesses empresariais, relações políticas e alinhamentos ideológicos, o que não é novidade.

Um exemplo recente disso é o PowerPoint apresentado por Andréia Sadi, na GloboNews, tentando estabelecer conexões entre o presidente Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro. O material acabou provocando uma crise editorial dentro da própria emissora.

Outra coisa que me incomoda é a quantidade de colunistas que hoje publicam informações sem apresentar fontes verificáveis. Muitas vezes são relatos anônimos, bastidores imprecisos ou aquele velho “me disseram”, sem que o público tenha elementos para avaliar a consistência da informação.

Ainda bem que existe o The Intercept Brasil para nos lembrar que o jornalismo investigativo sério não desapareceu do país.

Nesta semana, mais uma vez, o portal independente colocou a política brasileira em movimento ao revelar informações envolvendo o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Enquanto parte da mídia tradicional apostava em especulações visuais e em comentários apresentados como análise política, o Intercept trabalhou com documentos, mensagens, áudios e cruzamento de informações.

As reportagens apresentaram elementos concretos sobre negociações financeiras, aproximações políticas e articulações envolvendo a família Bolsonaro e aliados do bolsonarismo com o banqueiro preso por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção etc..

Diante dessa realidade, ficou claro que precisamos de menos espetáculo e mais reportagem.

*Suzete Nocrato

Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

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