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“As Eleições no Ceará e a Revolta dos Bichos” – Por Amaudson Ximenes

Amaudson Ximenes é também sociólogo. Foto: Arquvo Pessoal

Com o título “As Eleições no Ceará e a Revolta dos Bichos”, eis artigo de Amaudson Ximenes, sociólogo e Mestre em Políticas Públicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Ceará. “Nesse dia, a turma da quarta série prevaleceu em detrimento de uma discussão qualificada de projetos para o estado do Ceará. O debate mais pareceu uma discussão de garotos nos tempos de colégio primário, das brincadeiras de quarteirão e de bairros rivais”, expõe o articulista.

Confira:

No último debate político realizado pelo Grupo O POVO de Comunicação, duas falas do candidato ao Governo do estado do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) referindo-se aos seus adversários, Elmano de Freitas (PT) e o senador Camilo Santana (PT), nos chamaram a atenção. A fala fazia comparação dos tipos físico e comportamental com animais domésticos e silvestre, tais como o pinto e o guaxinim, respectivamente.

As comparações remeteram-me à minha infância e adolescência no município de Ipu (Região da Ibiapaba) e em Fortaleza. Ganhávamos os mais diversos apelidos: de bichos fofinhos, animais selvagens e domésticos e até objetos. A fala de Ciro mais pareceu uma discussão de um garoto da quarta série primária, dos meus tempos do Patronato do Souza Carvalho, de Ipu.

No debate, Ciro Gomes acusava Elmano de Freitas de ser um “pintinho calçudo” frente às facções criminosas e de ser “valentão” dentro do gabinete. Em outro bloco, quando confrontado por Elmano de ter inveja de Camilo Santana, retrucou, dizendo que a única coisa em Camilo que invejava era o cabelo de “rabo de guaxinim”. A discussão pode ser compreendida como uma prática de bullying, que extrapola o bom e qualificado debate de candidatos ao governo do Ceará. Por bullying entendemos ser uma série de agressões intencionais e repetitivas, físicas, verbais ou psicológicas praticadas por um individuo ou grupo social contra uma pessoa no sentido de humilhar e desmoralizar o oponente, no caso em questão: o candidato e atual governador do Ceará.

A discussão ganhou as redes sociais. Ganhou cortes. Pautas na impressa e no audiovisual. Simpatizantes do senador criaram uma mascote de guaxinim para satirizar e suavizar a comparação de Ciro em relação a Camilo Santana. Entretanto, a figura do “Pintinho Calçudo”, que se referia ao governador e candidato a reeleição, foi silenciada. Mais pareceu que o candidato na eleição é Camilo e não o governador Elmano de Freitas. No âmbito político, a estratégia de Ciro, de humilhar e diminuir o oponente, obteve sucesso. Nas redes sociais, no espaço virtual o tema permanece.

Voltando ao fatídico dia do debate, um popular que assistia às cenas em um restaurante no Parque Araxá, sentado numa mesa vizinha à minha, retrucava a fala de Ciro Gomes, chamando-o de “Tejo Ovado” e “Pescoço de Girafa”.

Nesse dia, a turma da quarta série prevaleceu em detrimento de uma discussão qualificada de projetos para o estado do Ceará. O debate mais pareceu uma discussão de garotos nos tempos de colégio primário, das brincadeiras de quarteirão e de bairros rivais.

*Amaudson Ximenes 

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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