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“Ata do Copom aponta cenário externo adverso e limita espaço para queda de juros” – Por Paulo Gala

Paulo Gala é economista

“A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na manhã desta terça-feira, reforça a leitura de um ambiente global marcado por elevada incerteza”. aponta o economista Paulo Gala

Confira:

A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na manhã desta terça-feira, reforça a leitura de um ambiente global marcado por elevada incerteza, com destaque para a persistência do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o preço do petróleo. A cotação do barril acima de US$ 110, agora com características mais permanentes, tem pressionado não apenas os combustíveis, mas também um amplo conjunto de commodities, incluindo alimentos e energia. Indicadores globais, como o índice CRB Index, seguem próximos de máximas históricas, refletindo esse cenário de pressões disseminadas.

No plano doméstico, o comitê reconhece sinais de moderação da atividade econômica brasileira. Apesar da desaceleração recente, o mercado de trabalho permanece resiliente, com taxa de desemprego próxima de 5% e crescimento da renda ainda sustentado. Esse quadro indica uma economia operando próxima do pleno emprego, o que amplia a sensibilidade da inflação a choques de oferta, especialmente em um contexto de baixa expansão da capacidade produtiva.

A ata também destaca a transição em curso na política macroeconômica. Após um ciclo expressivo de impulso fiscal entre 2021 e 2024 — marcado por transferências de renda e estímulos ao consumo —, observa-se agora uma inflexão, com redução desse impulso e a atuação contracionista da política monetária. O ano de 2025 é caracterizado, portanto, como um ponto de virada, no qual a combinação de juros elevados e menor estímulo fiscal tende a desacelerar a economia.

Ainda assim, a inflação segue pressionada, em especial no segmento de serviços, fortemente influenciado pelo mercado de trabalho aquecido. As expectativas inflacionárias se deterioraram de forma relevante: projeções indicam inflação próxima de 4,9% em 2026 e 4,4% em 2027, ambas acima da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Esse descolamento reflete, em grande medida, o impacto persistente do choque do petróleo.

O documento ressalta que, embora o aumento dos preços do petróleo eleve a arrecadação pública e os lucros de empresas como a Petrobras, seus efeitos inflacionários são relevantes e impõem desafios à condução da política monetária. Em um ambiente de pleno emprego e baixa taxa de investimento — atualmente ao redor de 18% do PIB —, estímulos adicionais à demanda tendem a se traduzir mais rapidamente em inflação do que em crescimento.

Nesse contexto, o Copom avalia que há espaço limitado para flexibilização monetária. O comitê optou por dar continuidade a um processo gradual de ajuste, descrito como “calibragem” da política monetária. Segundo a ata, a manutenção prolongada de juros em patamar contracionista já produziu efeitos sobre a atividade, contribuindo para a desaceleração econômica e para a apreciação cambial recente, fatores que ajudam a conter a inflação.

Por fim, o Copom enfatiza que a magnitude e a duração do ciclo de ajuste dependerão da evolução do cenário, especialmente das incertezas externas e da dinâmica da atividade doméstica. A ausência de sinais claros sobre o desfecho dos conflitos geopolíticos e sobre a trajetória da economia global reforça a postura cautelosa da autoridade monetária, que permanece operando em um ambiente de elevada complexidade e riscos assimétricos.

Paulo Gala é economista e professor da FGV

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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