Black Friday deve movimentar R$ 431 milhões no varejo de Fortaleza

Luiz Fernando Bittencourt, presidente da Fecomércio, é só otimismo. Foto: Divulgação

O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), organismo da Fecomércio-CE, estima um potencial de consumo de R$ 431 milhões para o varejo da Capital neste ano em se tratando de Black Friday. Isso representa um aumento nominal de 1,2% sobre os R$ 426 milhões da pesquisa de 2025.

O resultado consolida o evento como uma das principais datas do calendário local, ficando atrás apenas do Natal e do Dia das Mães, ao combinar bens de uso cotidiano, produtos de maior valor e antecipação de despesas de fim de ano. Seu potencial corresponde a aproximadamente 91,7% do estimado para o Dia das Mães de 2026 e supera em 31,4% o valor projetado para o Dia das Crianças no mesmo ano.

Diferentemente das datas associadas a presentes, a Black Friday depende da percepção de vantagem econômica, a adesão exige que o desconto justifique realizar ou antecipar a compra. Segundo a pesquisa, o gasto médio será de até R$ 1.000.

Intenção de compra

Entre os consumidores de Fortaleza, 46,1% pretendem comprar na Black Friday, 41,1% não pretendem e 12,8% estão indecisos. A adesão é relevante, mas longe de generalizada. Os indecisos são uma oportunidade para o varejo, desde que a conversão se apoie em ofertas vantajosas, boas condições de pagamento e confiança na reputação das lojas.

Segundo o presidente da Fecomércio-CE, Luiz Fernando Bittencourt, a principal característica da Black Friday é a relação direta com a garantia de desconto nos produtos, diferente das datas comemorativas que tem o apelo comemorativo.

“A adesão à Black Friday depende, em grande medida, da percepção dos consumidores de que o desconto oferecido justifica antecipar ou realizar a compra. Isso torna a credibilidade das promoções e a transparência dos preços elementos centrais para o bom desempenho comercial nesse período”, avalia.

Entre os que pretendem comprar, 68,2% buscam produtos necessários a preços menores, 32,9% querem antecipar presentes de Natal e 17,0% aproveitariam as promoções mesmo sem precisar de algo específico.

Entre os que não pretendem comprar, 32,5% não acreditam na veracidade das promoções e as veem como estratégia de marketing, 23,6% consideram o momento econômico desfavorável e 23,1% acham os descontos pouco relevantes.

As restrições financeiras também pesam. Segundo a pesquisa, 21,9% citam a falta de dinheiro e 12,3% estão endividados e priorizam o pagamento de dívidas. A sensibilidade ao preço convive, portanto, com limites de renda.

Itens mais procurados

O levantamento mostra que os itens mais procurados são os eletrodomésticos (37,5%), seguidos de roupas e artigos de vestuário (28,1%) e de calçados, cintos e bolsas (25,5%), apesar das retrações. Cosméticos e perfumes registram o maior avanço e dobraram, de 9,1% para 18,2%, enquanto roupas têm a maior queda (−8,7 p.p.).

Artigos para o lar (+3,8 p.p.) e móveis e artigos de decoração (+2,7 p.p.) também crescem, o que sugere maior interesse por cuidados pessoais e itens para a casa, sem que os dados permitam afirmar mudança estrutural.
Canais de compra, pesquisa de preços e confiança

Comprar em lojas físicas

Na hora das compras, as lojas físicas seguem como preferência entre os consumidores, citadas por 64,3% dos entrevistados, enquanto 41,9% mencionam as lojas on-line. Outros 7,9% ainda não decidiram onde comprar. Os percentuais não são excludentes, pois o consumidor combina canais, o que exige estratégia integrada.

Olho na internet

A pesquisa de preços é outra característica da Black Friday. Dos entrevistados, 76,6% fizeram ou pretendem fazer pesquisa, 55,8% com menos de um mês de antecedência, 18,2% cerca de um mês antes e 18,0% apenas no dia.

A internet é o principal canal de comparação de preços, utilizado por 42,3% dos consumidores, seguida pelas lojas físicas (34,5%). Outros 23,2% recorrem aos dois canais, evidenciando a busca por melhores ofertas tanto no ambiente digital quanto no presencial. Além disso, 55,6% veem descontos melhores nas lojas on-line e aplicativos, contra 26,2% nas físicas.

A confiança também pesa na hora da compra. De acordo com a pesquisa, 47,7% preferem lojas em que já compraram e ficaram satisfeitos, 43,8% pesquisam o menor valor e 30,7% priorizam marcas conhecidas. Além disso, fatores como frete grátis (22,6%), indicações (20,7%) e prazo de entrega (19,2%) completam os fatores, de modo que a competitividade não depende só do desconto anunciado.
Antecipação de compras e dinâmica promocional

Segundo a pesquisa, 76,0% estão evitando algum tipo de compra em outubro e novembro para realizá-la na Black Friday, e 24,0% não. O dado evidencia o papel do evento na reorganização temporal do consumo, ele amplia a demanda no período promocional, mas desloca vendas que ocorreriam antes.

A maioria pretende comprar na semana do evento (57,6%) ou no próprio dia (17,0%); 16,6% planejam comprar na primeira quinzena de novembro e 3,1% depois. (Com informações da assessoria de imprensa da Fecomércio-CE).

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