“Cid Carvalho: Doa a Quem Doer” – Por Ernesto Antunes

Ernesto Antunes, consultor de empresas. Foto - Arquivo Pessoal

“O acompanhei como um atuante senador da República, onde realizou um mandato correto, honrando o Senado Federal”, aponta o consultor empresarial Ernesto Antunes

Confira:

Conheci o Cid Carvalho no final da década de 70, quando, ainda adolescente, frequentava quase diariamente a Rádio Uirapuru, situada na Rua Quintino Bocaiúva, próxima de onde residia.

Nesse período, ficava na rádio, na parte de fora dos estúdios, “assistindo” aos programas esportivos comandados por Júlio Sales, Messias Alencar e Carlos Fred e aos programas musicais de Will Nogueira e do popular Guajará Cialdine.

Quando retornava para a minha residência, era anunciado, em alto e bom som, o programa Antenas e Rotativas, comandado por Cid Carvalho e convidados. Não assistia pessoalmente, mas, chegando em casa na hora do almoço, ligava o radinho para ficar bem informado das questões políticas. Ao ouvi-lo, ficava impressionado com o seu vozeirão e o conhecimento profundo desse radialista, que eventualmente participava das transmissões esportivas como comentarista.

Em uma das várias idas à Rádio Uirapuru, encontro o Cid Carvalho e pergunto se ele tinha uma cortesia para que eu pudesse ir assistir a um jogo no Castelão, visto que ele era o então presidente da FADEC, órgão que administrava o Estádio Castelão. Com seu jeito sério, Cid pediu que comparecesse à rádio no horário marcado, nas vésperas do jogo, que ele daria o ingresso para as cadeiras cativas. Conforme o acertado, recebi o ingresso e fui surpreendido quando ele me convidou para assistir ao jogo na cabine da rádio, junto com ele e o narrador Júlio Sales. Foi uma grande emoção de adolescente. Passado esse período, a Rádio Uirapuru se mudou e, depois, tive pouquíssimos contatos com o Cid Carvalho.

Contudo, o acompanhei como um atuante senador da República, onde realizou um mandato correto, honrando o Senado Federal.

Depois desse período, continuei ouvindo sua participação no Grupo Cidade, com o seu direto “Doa a Quem Doer”, mostrando, em seus comentários, independência e cobrança no seu discurso e atuação como cidadão, sendo respeitado também como um advogado brilhante no que realizava.

Enfim, sentirei falta do seu “Doa a Quem Doer”, quando, durante o horário de meio-dia e ainda no trânsito, ele falava duro e forte, quando a situação no Brasil e no mundo exigia. Que surja um novo Dr. Cid Saboia de Carvalho.

Ernesto Antunes
Escritor e consultor empresarial

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