Com o título “Ciro Gomes e seu Incrível Exército de Brancaleone”, eis artigo de Francisco Bezerra, jornalista, radialista e escritor. “Dizem que a arte imita a vida ou vice-versa. Sendo assim, Ciro Gomes aparece, nesta eleição, travestido de Brancaleone de Nórcia, o cavaleiro atrapalhado e maltrapilho, personagem cinematográfico tirado do roteiro original escrito pelos famosos italianos Age & Scarpelli (Agenore Incrocci e Furio Scarpelli) que foi parar nas telas mundo afora, no ano de 1966, numa parceria com o diretor de cinema Mario Monicelli, também italiano”, expõe o articulista.
“A sátira é uma espécie de espelho, onde aqueles que o fitam descobrem a cara de toda a gente menos a sua.”(Jonathan Swift — escritor anglo-irlandês, panfletário político, poeta e clérigo que depois se tornou reitor da Catedral de São Patrício, em Dublin).
Confira
Antes de ontem, 16 de agosto, foi dada, oficialmente, a largada para a corrida eleitoral em todo o País. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, os partidos colocaram seus blocos nas ruas em busca do voto do eleitor num pleito quase geral. Votaremos em um candidato a presidente da República, dois candidatos ao Senado, num candidato a deputado federa, num candidato a governador e, finalmente, num disputante a uma cadeira no Parlamento estadual. Aqui na taba, 6.998.494 (números do TRE-Ce) de cearenses têm encontro marcado com as urnas no dia 4 de outubro.
Dois palanques vão dividir as atenções e holofotes no proscênio eleitoral nos próximos 45 dias de campanha. Num deles, pontifica o ex-quase-tudo Ciro Gomes, com sua postura marcial. Com seu Incrível Exército de Brancaleone – um exército mambembe com personagens que em muito lembram o clip Thriller, lançado pelo pop star Michael Jackson no ano de 1982, ele promete lutar para tomar de assalto o feudo de Aurocastro (Palácio da Abolição).
Ferido em seus brios de grande líder do Siará Grande, Ciro tem chutado o balde da etiqueta social, da coerência política e do compromisso republicano com as coisas de estado. Movido pelo combustível do ressentimento profundo o agora ex-tucano e tucano de novo não tem apresentado propostas para administrar o Ceará. Não, logo ele que se considera um dos grandes formuladores do pensamento estratégico do Brasil. Alguém que já teve como guru político o proeminente professor de Harvard, Mangabeira Unger, se render aos insanos pregadores do fascismo.
Enquanto faltam propostas, sobram impropérios e acusações contra ex-aliados (tudo no cirismo cheira a ex) de várias empreitadas políticas aqui, acolá, alhures. Neste intento napoleônico, o filho do seu Euclides tem juntado em torno de si o que há de pior em solo cearense. São políticos bolsonaristas (do pior tipo), oportunistas, negacionistas, neofascistas, mercadores da fé, fundamentalistas, mitômanos,
misóginos, racistas, homofóbicos, xenófobos … ufa! Enfim, um rebotalho inumano a serviço do que há de pior no espectro político pelas bandas de cá. Atores de quinta categoria em um circo de horrores que, certamente, em caso de vitória nas urnas, vão arrastar nosso estado para a barbárie.
Dizem que a arte imita a vida ou vice-versa. Sendo assim, Ciro Gomes aparece, nesta eleição, travestido de Brancaleone de Nórcia, o cavaleiro atrapalhado e maltrapilho, personagem cinematográfico tirado do roteiro original escrito pelos famosos italianos Age & Scarpelli (Agenore Incrocci e Furio Scarpelli) que foi parar nas telas mundo afora, no ano de 1966, numa parceria com o diretor de cinema Mario Monicelli,
também italiano. O Brancaleone da ficção se depara com a peste negra, bárbaros, piratas, leprosos, vigaristas e muito mais seres desprezíveis que povoavam a Europa medieval. A semelhança entre a tropa da ficção e a da vida real que carrega o andor cirista não vai ser mera coincidência. Num filme extemporâneo, o Brancaleone, na versão tupiniquim, se junta a um para confrontar o status quo local, onde o PT comanda, por 12 anos consecutivos, os destinos do estado.
Nesta maravilha da “sétima arte da política cearense,” encenada por Ciro, o herói imaculado, não temos como personagem central nenhum tipo de cavaleiro intimorato que quer resgatar a amada, vingar o pai ou qualquer outro roteiro desses enredos clichês de filmes. Nosso Brancaleone, uma espécie de Macunaíma de Mário de Andrade, é um cavaleiro errante atrapalhado que tenta usar seu passado político, não para derrotar o governador Elmano, mas sim para se vingar de Camilo Santana e de Lula. Duas perguntinhas melífluas: qual é mesmo o motivo da vingança do Ciro contra os petistas acima citados? Será que o candidato tucano conhece a letra da música do seu conterrâneo Belchior, em que ele diz em versos indeléveis: “o passado é uma roupa velha que não nos serve mais”. Sai da frente
que atrás vem gente.
PS. Semana passada o comitê tucano se ouriçou todo com a pesquisa do Data Falha (desculpem, o DataFolha), que mostrou larga diferença pró-Ciro. O DataFalha, assim o saudoso Paulo Henrique Amorim se referia ao instituto de pesquisas dos Frias) o mesmo instituto, só para ninguém esquecer, que, na eleição de 2020, Sarto X Capitão Wagner, na véspera do voto, trouxe uma diferença de 20 pontos para o
primeiro em relação ao segundo na disputa pela prefeitura de Fortaleza no segundo turno. Urnas apuradas, o que se viu entre os dois contendores foi uma diferença de pouco mais de 3%.
Uma resposta
Quem chutou o balde da etiqueta social?
Qual o motivo de tanta raiva que o Sr. tem de Ciro Gomes?
Veja o que o Sr. disse…..
[…]o filho do seu Euclides tem juntado em torno de si o que há de pior em solo cearense. São políticos bolsonaristas (do pior tipo), oportunistas, negacionistas, neofascistas, mercadores da fé, fundamentalistas, mitômanos, misóginos, racistas, homofóbicos, xenófobos … ufa! Enfim, um rebotalho inumano a serviço do que há de pior no espectro político pelas bandas de cá.