Com o título “Ciro: Sem programa, só antipetismo”, eis artigo de Acrísio Sena, historiador e dirigente do PT do Ceará. “É o ódio ao PT que hoje aproxima quem até ontem se apresentava como adversário irreconciliável do bolsonarismo. O discurso mudou. Os aliados mudaram. E a prática política revelou o que muitos ainda tentavam esconder”, expõe o articulista.
Confira:
A entrevista de Ciro Gomes à Rádio O POVO/CBN, nesta semana, produziu uma confissão política difícil de ignorar. Ao afirmar que sua aliança com o PL e outros partidos não possui compromisso programático, ele admite que esse bloco não se organiza em torno de ideias, propostas ou de um projeto para o Ceará.
Se não há programa, o que sustenta essa união?
A resposta é evidente: o antipetismo.
É o ódio ao PT que hoje aproxima quem até ontem se apresentava como adversário irreconciliável do bolsonarismo. O discurso mudou. Os aliados mudaram. E a prática política revelou o que muitos ainda tentavam esconder.
Na política, alianças nunca são neutras e sem compromisso programático. Elas revelam escolhas. E Ciro fez a sua: escolheu caminhar ao lado da extrema direita brasileira, transformando o antipetismo no único elo capaz de manter de pé uma aliança sem identidade, sem coerência e sem compromisso com um projeto de futuro para o Ceará.
Transformar o antipetismo no principal elemento de união significa substituir a discussão de propostas por uma estratégia baseada apenas na rejeição a um adversário. O eleitor cearense merece mais do que alianças circunstanciais. Merece propostas e compromissos, principalmente com a verdade.
*Acrísio Sena
Historiador e dirigente do PT do Ceará.