“Formação precisa de tempo e profundidade. Tem professor cansado de ir à formações aligeiradas, de temas chochos e desenxabidos. E, se é sobre IA, de mais tempo precisará”, aponta o professor João Teles
Confira:
Se o uso da Inteligência Artificial (IA) no ensino visa transformar a rotina da escola e da aprendizagem, é bom que isso ocorra de forma paulatina e responsável. A maioria dos professores não está preparada pra isso.
Se com o auxílio de ferramentas e plataformas, a IA vem para ajudar a personalizar o aprendizado do alunado, que venha, mas devagar. Como diz o povo: “devagar com o andor!”
A IA, bem aplicada otimiza o tempo dos professores, subsidia o mestre, no planejamento de aulas e automatiza tarefas, etc. Mas, com calma e jeito. Às pressas, de afogadilho, não dá.
A IA, é como aquela esponja de aço: tem mil e um utilidades, mas…
Se ela ajudará o professor, na produção de textos, resumos e/ou nas explicação de dúvidas mais complexas, é bom primeiro que o professor seja convocado, para conhecer melhor a “novidade” e para que receba formações, pra isso. O professor precisa de formação e das boas; as muito superficiais, não interessam.
Formação precisa de tempo e profundidade. Tem professor cansado de ir à formações aligeiradas, de temas chochos e desenxabidos. E, se é sobre IA, de mais tempo precisará.
Nas escolas (muitas), nem computador tem; os professores, lá atrás, não fizeram cursos de informática. A correria da vida e o ativismo profissional, não permitiram isso. Claro que isso ainda pode acontecer, mas fica mais difícil, por uma série de razões. Duas das razões: a idade, o cansaço…
A IA é bem-vinda? É. Ela veio pra ficar? Sim. Mas que a presença dela nas escolas não seja um incômoda, um fardo…
Os professores gastam redondos 20% do tempo de sala de aula, para que as turmas os ouçam; isso é muito grave. Pois que esse professores seja melhor subsidiados, para que possa desenvolver um trabalho melhor e mais proveitoso, para eles e pras suas turmas.
Os governos e a sociedade precisam ficar mais atentos, para essas necessidades, não só dos professores, mas das escolas.
O abandono e o pouco dinheiro das escolas públicas, já é algo histórico. A desídia com elas, vem de muito longe. E não é o advento da IA, que vai tirá-las desse aperto. Que venha a IA. Com auxílio/subsídio ao professor!
João Teles de Aguiar
Professor, historiador e integrante do Projeto Confraria de Leitura