“Criança também vota? O silêncio que preocupa” – Por Leopoldo Martins

Leopoldo Martins é advogado. Foto: Divulgação

Com o título “Criança também vota? O silêncio que preocupa”, eis artigo de Leopoldo Martins, advogado, membro Consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará. “A saúde infantil não pode ser lembrada apenas quando a fila cresce e assusta as famílias. Talvez seja hora de transformar uma antiga ausência em uma pergunta presente: quem vai defender as crianças do Crato quando elas mais precisarem?”, expõe o articulista

Confira:

Uma criança doente não pode esperar a próxima eleição. Muito menos uma ambulância, uma vaga ou uma promessa de futuro. Quem está disposto a defender uma estrutura pediátrica capaz de atender crianças com dignidade e rapidez?

O Crato já teve um hospital pediátrico. Criada em 1973 e posteriormente instalada no prédio que hoje abriga a Secretaria Municipal de Saúde, a unidade foi desativada na década de 1990. Décadas depois, o problema permanece. A cidade cresceu, mas a assistência infantil continua concentrada no São Camilo, que também atende outros municípios.

O hospital possui emergência pediátrica 24 horas e UTI pediátrica com dez leitos. Em períodos de síndromes respiratórias, a procura aumenta e pode sobrecarregar a estrutura.

Em maio de 2025, O POVO registrou superlotação no São Camilo, com pacientes relatando espera de até sete horas. O hospital informou que o aumento do fluxo estava relacionado, em grande parte, a doenças respiratórias e estimou que 52% dos pacientes poderiam ser atendidos em unidades de menor complexidade.

A discussão não deveria ser São Camilo contra hospital infantil. É preciso pensar em rede: atenção básica, prevenção, urgência e estrutura especializada. Em 2025, vereadores defenderam a construção de um hospital pediátrico. A pergunta é: o que foi feito desde então?

E aqui entra a política. O prefeito André Barreto precisa explicar sua visão para a assistência pediátrica. Existe projeto, parceria ou busca de recursos para uma unidade própria? Se não existe, por que o tema não ocupa lugar prioritário?

E os candidatos de 2026? Quantos colocaram a saúde infantil do Crato entre suas propostas? Quantos assumiram esse compromisso? O eleitor precisa de respostas.

Não se trata de pedir voto para ninguém. Trata-se de pedir compromisso. A criança não escolhe prefeito, deputado ou partido. Seus pais escolhem.

A saúde infantil não pode ser lembrada apenas quando a fila cresce e assusta as famílias. Talvez seja hora de transformar uma antiga ausência em uma pergunta presente: quem vai defender as crianças do Crato quando elas mais precisarem?

*Leopoldo Martins

Advogado, membro Consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará.

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