“Trabalhar com cultura é abrir portais”, aponta a escritora e poeta Marta Pinheiro
Confira:
Há uma política no ato de criar. Mesmo quando sutil, mesmo quando silenciosa. Porque toda criação desloca, questiona, reorganiza. Escolher a cultura é escolher esse deslocamento constante — é não aceitar o mundo tal como está dado. É insistir que outros mundos são possíveis e persegui-los.
É um gesto de insurgência num mundo que tenta nos calar. Escolher esse caminho é aceitar o confronto — com sistemas que desvalorizam, que precarizam, que tentam reduzir o fazer artístico a algo menor. Mas a cultura escapa. Ela se infiltra, contamina, ressurge.
Trabalhar com cultura é abrir portais. É lidar com estruturas duras sem deixar morrer o delírio. Porque é no delírio que mora a criação. Escolher a cultura é recusar a anestesia. É manter o corpo sensível num mundo que constantemente tenta endurecer.
Hoje é dia de abraçar quem dedica a vida à cultura. A Lei 14.517/23, sancionada pelo presidente Lula, instituiu a segunda segunda-feira de maio como o Dia Nacional dos Trabalhadores em Entidades Culturais, Recreativas e Conexas. Cada espetáculo, exposição, livro, show, sarau ou encontro cultural carrega o esforço silencioso de muitas mãos. Meu carinho, minha gratidão e meu respeito mais profundo a cada trabalhador e trabalhadora da cultura.
Marta Pinheiro
Escritora, poeta, produtora cultural, curadora literária e parecerista em editais de arte e cultura