Com o título “Sedentarismo cognitivo: delegar tarefas para a IA está criando uma geração que não pensa mais por si próprio”, eis artigo de Danniela Rolim Medeiros, psicopedagoga. “A partir da vida adulta, e de forma mais evidente após os 60 anos, o cérebro precisa ser constantemente desafiado para preservar funções como memória, atenção, raciocínio e tomada de decisão”, expõe a articulista.
Confira:
No próximo dia 22 de julho, é celebrado o Dia Mundial do Cérebro. Trata-se de um momento oportuno para refletir até que ponto o uso da Inteligência Artificial é positivo ou não na vida das pessoas. Como psicopedagoga e estudiosa sobre a longevidade, entendo que a funcionalidade do cérebro não pode ser substituída pela IA. Em outras palavras, essa simulação do raciocínio para a tomada de decisões
humanas tem a sua contribuição na sociedade, porém, não podemos ficar dependente dela. Do contrário, a perda da memória será o preço a ser pago em um futuro breve.
Infelizmente, temos observado a velocidade com que várias gerações delegam tarefas como soma, subtração ou multiplicação de uma conta, ao número de telefone de um amigo ou parente, até um trajeto de carro na cidade, para a IA. Esse movimento vem sendo conhecido como sedentarismo cognitivo. Lembro que o cérebro mantém sua capacidade de adaptação ao longo da vida e as experiências e os conhecimentos acumulados são preservados, mas precisam ser continuamente estimulados. Quando colocamos à frente a tecnologia e deixamos de exercitar nossas habilidades cognitivas, favorecemos um verdadeiro sedentarismo cerebral.
A exceção na capacidade de aprender se dá por conta de alguma interferência patológica externa. Neste caso, estão as doenças neurodegenerativas (o Alzheimer, por exemplo, destrói os neurônios e as sinapses, bloqueando a fixação de novas memórias) e a inércia cognitiva (falta de estímulos mentais e sociais). No geral, o cérebro humano é muito rápido, podendo os neurônios atingirem uma velocidade até 430 km/h. E, mesmo quando se está dormindo, o cérebro continua ativo. É nesse período de descanso que as informações recebidas durante o dia são processadas e formam a nossa memória.
No meu dia a dia, tenho ensinado e aprendido muito com o público a partir dos 45 anos, como franqueada do Super Cérebro Longevidade. Não podemos esquecer que o envelhecimento cerebral é um processo natural, mas que a velocidade desse processo é fortemente influenciada pelo estilo de vida. A partir da vida adulta, e de forma mais evidente após os 60 anos, o cérebro precisa ser constantemente desafiado para preservar funções como memória, atenção, raciocínio e tomada de decisão.
*Danniela Rolim Medeiros
Psicopedagoga.