“Encontros, reencontros, despedidas…” – Por Gilson Barbosa

Gilson Barbosa, jornalista e pesquisador. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Encontros, reencontros, despedidas…” eis artigo de Gilson Barbosa, jornalista e pesquisador.

Confira:

“Encontros e Despedidas”, música de Milton Nascimento (1942-), nascido no Rio de Janeiro, mas criado na cidade de Três Pontas(MG) – o que o tornou mais mineiro do que fluminense – , fez parte de seu LP homônimo, gravado em 1985. A canção descreve a movimentação de uma estação ferroviária, com todas as idas e vindas de passageiros, as pessoas que chegam e as que partem para nunca mais voltar. A letra alude ao profundo significado da vida humana. De fato, ao longo de nossas existências, cada dia nos surpreende com o encontro de alguém com quem estabelecemos parentesco natural ou a amizade verdadeira e definitiva.

Há dias, também, em que nos reencontramos com pessoas que, por uma circunstância ou outra, conhecemos no passado e que, em certo momento, nos deixaram por meses, anos, até que, em determinada oportunidade, às vezes até de forma inesperada, voltamos a rever prazerosamente. E, infelizmente, outros dias há em que gente querida, com quem convivemos longos anos, também “desembarca na estação” e se despede de nós para sempre! Assim é esta viagem chamada vida, com todas as variáveis, surpresas, boas e más notícias, as chegadas de uns e as partidas, temporárias ou sem volta, de outros tantos.

“Todos os dias é um vai e vem,/ A vida se repete na estação,/ Tem gente que chega pra ficar,/ Tem gente que vai pra nunca mais./ Tem gente que vem e quer voltar,/ Tem gente que vai, quer ficar,/ Tem gente que veio só olhar,/ Tem gente a sorrir e a chorar./ E assim chegar e partir”. Sem dúvida, uma analogia mais do que perfeita com a realidade da vida, com todas as suas alegrias e tristezas, com a rotina de todos os dias. A vida é essa continuidade de experiências, de aprendizados, de descobertas, ganhos e perdas.

Conhecemos gente, revemos amigos(as) queridos(as) após muito tempo de distância física, como já nos aconteceu recentemente em Petrópolis(RJ), no interior da casa onde viveu Alberto Santos Dumont (1873-1932). Lá, para surpresa nossa, ouvimos nosso nome chamado por uma amiga que havia tempos não víamos. Naquele dia e naquele momento, ela estava também no local, visitando-o com a família, quando eu e minha esposa a reencontramos! E que surpresa agradável foi! Recentemente também perdemos pessoas próximas, ligadas à família, bem como um amigo querido de cujo falecimento só tomamos conhecimento muitos dias após o fato, e de forma abrupta, o que nos entristeceu profundamente.

Como diria o poeta Fernando Pessoa (1888-1935), “às vezes ouço passar o vento; e, só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Assim o vate lusitano apresentou sua declaração de amor à vida, com todas essas nuances que Milton Nascimento, inspirado cantor e compositor , registrou com poucas palavras e tamanha sensibilidade.

*Gilson Barbosa

Jornalista e pesquisador.

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