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“Ensaio sobre o fascismo e a aliança de Ciro Gomes no Ceará” – Por Francisco Bezerra

Francisco Bezerra é jornalista, radialista e escritor

Com o título “Ensaio sobre o fascismo e a aliança de Ciro Gomes no Ceará”, eis artigo de Francisco Bezrera, jornalista, radialista e escritor. “No Ceará, ele vestiu armadura medieval para uma guerra eleitoral usando como parceiros a escumalha da política cearense. Ele é hoje, sem dúvida, em terras Alencarinas, o corifeu do fascismo que é sinônimo de negacionismo, mitomania, misoginia, homofobia, racismo e a instalação de um governo autoritário e excludente. Sai da frente que atrás vem gente”, expõe o articulista.

“A cadela do fascismo está sempre no cio.” ( Bertolt Brecht – 10/02/1898-14/08/1956, Alemanha, como
dramaturgo, poeta, diretor (encenador) e teórico do teatro).

Confira:

A década de 1980 do século passado no Brasil foi marcada por profunda ebulição política aqui do lado de baixo do equador. A ditadura militar, instaurada em 1964, entrou, nesta década, fragilizada, nem por isso menos cruel e assassina. Apesar de moribunda e nos estertores do seu ciclo de poder, a velha ordem dos quartéis ainda encontrou forças para escaramuças que consistiam em ações terroristas de Estado. No próximo dia 27, uma data sombria, são quarenta anos da explosão de três bombas no Rio de Janeiro: uma na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), outra na Câmara Municipal e a terceira na sede do jornal Tribuna da Classe Operária.

A carta-bomba enviada à sede da OAB explodiu nas mãos da secretária do presidente da instituição, Lyda Monteiro da Silva, que teve um braço decepado e morreu ao chegar ao hospital. A carta estava endereçada ao advogado Eduardo Seabra Fagundes, então presidente da Ordem. No atentado à Câmara, o assessor José Ribamar de Freitas perdeu um braço e a visão do olho esquerdo. Outras cinco pessoas ficaram feridas.

No dia seguinte, 28 de agosto daquele ano, uma carta-bomba destinada ao então superintendente da Sunab, general Glauco de Carvalho, foi aberta por uma secretária sem ser detonada. A onda de atentados terroristas da extrema-direita – conhecida como a “direita explosiva” – já vinha desde o ano de 1979, quando redações de veículos independentes e alternativos — como os jornais Hora do Povo, Em Tempo e Tribuna da Luta Operária — além de bancas que vendiam publicações oposicionistas, foram alvos de explosivos para intimidar a imprensa e a oposição.

No entanto, o atentado a bomba mais terrível viria a acontecer no dia 30 de abril de 1981. O caso que ficou conhecido como o mais emblemático da ditadura, ocorreu quando uma bomba explodiu prematuramente dentro de um puma no estacionamento do Riocentro, Rio de Janeiro, local onde 20 mil pessoas assistiam a um show do Dia do Trabalhador. A explosão matou o sargento Guilherme Pereira do
Rosário e feriu o capitão Wilson Dias de Oliveira Machado, ambos agentes do DOI-CODI. O plano era culpar a esquerda pelo atentado e justificar o endurecimento do regime, mas o fracasso do artefato expôs o terrorismo de Estado e enfraqueceu ainda mais a ditadura.

Os atentados foram todos praticados pela linha dura do exército, como se diz no jargão popular, nas barbas do general João Figueiredo, último presidente do regime militar. A farsa montada pelo inquérito policial militar sobre o atentado do Rio Centro ocasionou o pedido de demissão do Ministro Chefe da Casa Civil do governo, Golbery do Couto e Silva, espécie de eminência parda do regime dos quartéis. Os
dois arquitetos dos atos terroristas, General Otávio Medeiros, chefe do SNI, e Newton Cruz, chefe da Agência Nacional de Informações, urdiram os atentados dentro do Palácio do Planalto.

O recorte acima feito sobre o período da ditadura militar tem por escopo mostrar que o infame regime era de cunho fascista. Embora grande parte dos historiadores não classifique o poder dos militares como um regime fascista tradicional, não há como negar o caráter autoritário e anticomunista que caracterizam o fascismo. Não havia, no entanto, como no fascismo clássico (casos como os da Itália de Mussolini ou na Alemanha de Hitler) um líder carismático que mobilizasse as massas ativamente por meio de um partido único e centralizado.

O regime autoritário e truculento brasileiro manteve um verniz de legalidade com um Congresso Nacional garroteado pelos Atos Institucionais e um sistema bipartidário controlado (ARENA e MDB), além de eleições indiretas, um rodízio de generais-presidentes escolhidos internamente pelas forças armadas, na tentativa vã de se diferenciar do totalitarismo fascista puro. O regime de 1964 baseava-se na caserna e na hierarquia militar, combatendo a oposição e sobretudo a luta armada com métodos tirânicos como cassações, banimentos e extermínio. A mesma cartilha de Hitler e Mussolini.

As Diretas Já! de 1984 foi o movimento de massas que chancelou a eleição de um presidente civil, mesmo eleito pelo colégio eleitoral, e que estabeleceu a redemocratização com o advento da Nova República, abrindo as portas para a confecção da Constituição de 1988. As eleições presidenciais diretas, a partir de 1989, pareciam garantir que o autoritarismo estava soterrado. Ledo engano. Os golpistas e fascistas
continuavam, de forma sub-repitícia engendrando ardis contra o regime democrático. O golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, tirou do armário os fascistas que passaram a agir de forma desbragada. Tão desbragada que conseguiram eleger, em 2018, um exemplo de fascista clássico, o facínora Jair Bolsonaro,

Ao perder a reeleição em 2022, Bolsonaro conspirou para a eclosão de um golpe de Estado, que apearia do poder Lula e estabeleceria um regime presidencialista hipertrofiado com o fechamento do Congresso e do STF. Felizmente o plano diabólico deu com os burros n’água. Agora na eleição de 2026, os fascistas se uniram em torno da candidatura do filho do chefe da familícia que se encontra preso, o senador Flávio Bolsonaro. Tal candidatura vem na esteira do que há de pior no fascismo. E o que é o fascismo. Segundo a análise de Antonio Gramsci, marxista italiano, o fascismo é um fenômeno social que surge quando as classes dominantes perdem a capacidade de liderar pelo
consentimento e entram em crise profunda. O mesmo Gramisc assevera que o fascismo é uma saída violenta usada pela burguesia para esmagar o proletariado e reorganizar o poder do Estado.

Já para Umberto Eco o fascismo tem certas características que fomentam as guerras, os genocídios e a exclusão social. Entre estas características ele destaca algumas: o racismo, a guerra permanente, o elitismo, o machismo, a misoginia, a homofobia, a utilização de linguagem chula e finalmente o apego a regimes totalitários. Por sua vez, o professor da USP, Lincoln Secco afirma que o fascismo surge num
momento em que as classes dominantes usam o fascismo como instrumento de hegemonia econômica, não importando que métodos que remetem à barbárie sejam utilizados contra a maioria da classe dominada. Ou seja, o fascismo amordaça, exclui e mata.

E o que o Ciro Gomes, podem me perguntar, tem a ver com este ensaio sobre o fascismo? Tudo. No Ceará, ele vestiu armadura medieval para uma guerra eleitoral usando como parceiros a escumalha da política cearense. Ele é hoje, sem dúvida, em terras Alencarinas, o corifeu do fascismo que é sinônimo de negacionismo, mitomania, misoginia, homofobia, racismo e a instalação de um governo autoritário e
excludente. Sai da frente que atrás vem gente.

*Francisco Bezerra

Jornalista, radialista e escritor.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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