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“Entre a Institucionalidade e a Militância dos Poderes” – Por João Arruda

João Arruda, professor aposentado da UFC e sociólogo. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Entre a Institucionalidade e a Militância dos Poderes”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “A manipulação institucional, o ativismo judicial e a parcialidade midiática não apenas distorcem a disputa democrática, mas também corroem a confiança da sociedade nas próprias bases da República”, expõe o articulista.

Confira:

A corrida sucessória presidencial no Brasil desenha-se sob o signo de uma profunda crise de legitimidade institucional, em que as fronteiras entre a neutralidade republicana e a militância política tornam-se cada vez mais tênues. O debate eleitoral, que deveria ocorrer em ambiente de equilíbrio e respeito às regras democráticas, vem sendo marcado por episódios que alimentam questionamentos sobre a isenção dos Poderes da República e de setores influentes da imprensa nacional.

Um dos episódios mais chocantes do desequilíbrio institucional brasileiro ocorreu em 2 de junho de 2026, durante um pronunciamento oficial do presidente da República na cidade de Catalão, em Goiás. Na ocasião, ao criticar a família Bolsonaro – uma de suas recorrentes obsessões – e comentar uma iniciativa legítima do senador Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano para que o PCC e o CV fossem classificados como facções terroristas, o presidente Lula rompeu todos os limites da liturgia do cargo, acusando, de forma criminosa, o clã Bolsonaro.

¨Eles são traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pense, pensem, meditem.”

Essa mensagem, seguramente direcionada à militância lulopetista e às facções criminosas PCC e CV, provocou forte repercussão em todo o país. Ao estabelecer essa comparação com a Inconfidência Mineira, além de incitar a violência política, o presidente incorreu em um equívoco histórico elementar. Declarou que Joaquim Silvério dos Reis teria sido enforcado em 1792, quando, na realidade, quem sofreu essa pena foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. O delator da conspiração mineira, ao contrário, recebeu perdão de dívidas e recompensas da Coroa Portuguesa, vindo a falecer décadas mais tarde de causas naturais. Mas, afinal, seria demais exigir que o presidente Lula conhecesse a história do Brasil.

Com esse episódio, além de revelar imprecisão histórica em uma manifestação oficial da Presidência da República, Lula contribuiu para elevar o nível de tensão, violência e hostilidade no debate político nacional. O ex-condenado deve rezar para que não ocorra nenhum atentado contra a vida de Flávio Bolsonaro ou de seus familiares, como ele sugeriu, pois, caso isso venha a acontecer, seguramente será responsabilizado criminalmente e retornará ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Em paralelo, críticas semelhantes vêm sendo dirigidas ao imoral ativismo político do Poder Judiciário, especialmente em razão de decisões e procedimentos que evidenciam tratamento desigual entre diferentes vertentes políticas. Nesse contexto, ganhou destaque a iniciativa do ministro Alexandre de Moraes que, em 26 de maio de 2026, solicitou manifestação da Procuradoria Geral da República sobre a possível inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro em investigação relacionada à suposta coação da Justiça e tentativa de interferência em processos judiciais atribuídas ao deputado Eduardo Bolsonaro, tornando Flávio Bolsonaro inelegível. Não resta dúvida de que a atuação do Judiciário tem extrapolado os limites da função jurisdicional, contribuindo para o desequilíbrio do processo político e eleitoral brasileiro desde 2022.

Esse cenário de expansão do protagonismo institucional antirrepublicano encontra respaldo e legitimação em um ecossistema midiático mercenário, que abandona a posição de observador crítico dos fatos para assumir papel ativo na construção de determinadas narrativas políticas. A cobertura desigual de acontecimentos relevantes, associada à manipulação de pesquisas eleitorais, contribui para aprofundar a polarização, enfraquecer a confiança pública nas instituições democráticas e descredibilizar ainda mais a grande mídia.

Causou indignação o silêncio sepulcral da grande mídia em relação à pesquisa realizada pelo Instituto Veritá, que apontou ampla vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula, além de permitir a inferência de outros dados que evidenciam a fragilidade da candidatura lulista. O levantamento foi conduzido entre 22 e 26 de maio e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral, conforme exigência legal, contando com uma amostra de 3.330 entrevistas sobre as eleições presidenciais, com margem de erro de ±2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e abrangência nacional. Os resultados podem ser consultados em diferentes postagens no YouTube, no Copiloti, no Gemini, no ChatGPT e em demais plataformas de inteligência artificial.

Uma análise detalhada dos números da pesquisa revela dados catastróficos para o lulopetismo, para o sistema e para seus porta-vozes midiáticos. Vejamos alguns pontos:

1. Distribuição regional: Flávio Bolsonaro vence com folga em quatro regiões, enquanto Lula obtém vantagem apenas no Nordeste. Eis os números: Norte: Flávio 62,7% / Lula 37,3%; Nordeste: Flávio 44,3% / Lula 55,7%;Centro-Oeste: Flávio 64,9% / Lula 35,1%; Sudeste: Flávio 56,5% / Lula 43,5%, Sul: Flávio 63,8% / Lula 36,2%. Quando ponderados pelo peso eleitoral de cada região, a projeção matemática resulta em aproximadamente: Flávio 55,4% / Lula 44,6%, uma vantagem de 10,8 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro.

2. Comparativo com as eleições de 2022: Lula venceu em 13 estados, sendo 9 deles no Nordeste, enquanto Bolsonaro venceu em 13 estados e no Distrito Federal. Naquela ocasião, Lula obteve 69,34% contra 30,66% de Bolsonaro na região Nordeste, uma diferença de 39 pontos percentuais. Já em 2026, a pesquisa do Veritá mostra que Lula vence apenas em 5 estados nordestinos, empata em 2 e perde em outros 2, incluindo a Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país. Em termos percentuais, os números de Lula caíram drasticamente: 55,7% contra 44,3% de Flávio, reduzindo a diferença para apenas 10,7 pontos.

3. A pesquisa Veritá constata que Flávio Bolsonaro lidera nos seis maiores colégios eleitorais do Brasil, e isso é fatal para o presidente Lula: São Paulo: Flávio 56,9% / Lula 43,1%; Minas Gerais: Flávio 59,6% / Lula 40,4%; Rio de Janeiro: Flávio 53,6% / Lula 46,4%, Bahia: Flávio 51,2% / Lula 48,8%; Paraná: Flávio 61,6% / Lula 38,4%; Rio Grande do Sul: Flávio 56% / Lula 44%. É importante chamar atenção para o fato desses seis estados somarem cerca de 92,5 milhões de eleitores, o que corresponde a aproximadamente 59% do total nacional.

Diante desse conjunto de evidências, torna-se inescapável reconhecer que o processo eleitoral brasileiro atravessa uma encruzilhada histórica. A manipulação institucional, o ativismo judicial e a parcialidade midiática não apenas distorcem a disputa democrática, mas também corroem a confiança da sociedade nas próprias bases da República. Cabe, portanto, ao eleitor consciente assumir o protagonismo na defesa da verdade e da legitimidade, rejeitando narrativas artificiais e reafirmando o compromisso com um futuro político pautado pela transparência, pela justiça e pelo respeito às regras democráticas.

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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