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“Entre fios cortados e respostas vazias” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato é jornalista e Mestra em Comunicação Social da UFC. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Entre fios cortados e respostas vazias”, eis mais um texto da lavra de Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. Ela relata, como consumidora, um velho sofrimento que muitos de nós passamos, vez em quando.

Confira:

Caro leitor, aproveito o espaço para dividir com você a angústia que alcança, em algum momento, a maioria dos consumidores brasileiros. Refiro-me à ineficiência das operadoras de internet justamente quando mais precisamos de resposta e, principalmente, de solução.

Em um mundo cada vez mais dependente da conectividade, a internet se tornou a extensão da nossa vida cotidiana. É instrumento de trabalho, meio de estudo, ponte de comunicação etc. Quando o sinal cai, a rotina se rompe, o tempo se desorganiza e a vida entra em suspensão.

Foi exatamente o que experimentamos no feriado em que Fortaleza celebrou seus 300 anos. Para muitos, um dia de descanso e lazer, mas em minha casa, a rotina seguia outro compasso. Eu e meu filho precisávamos trabalhar e dependíamos inteiramente da conexão.

O transtorno começou ainda na véspera, no domingo, com a interrupção programada de energia para a substituição de um poste em frente à minha residência, o que, inevitavelmente, afetaria também a internet.

A concessionária Enel informou, por meio de panfleto distribuído, que o serviço seria realizado das 11h às 16h. O prazo se estendeu até as 18h, o que, em certa medida, é aceitável. O problema maior se revelou no fim da tarde.

Ao removerem o poste antigo, os trabalhadores cortaram indiscriminadamente todos os fios que não conduziam energia, incluindo os cabos de fibra óptica, deixando-os jogados na calçada. Aliás, ali permanecem até hoje. Questionados, afirmaram que as operadoras haviam sido previamente comunicadas.

Naquela mesma noite, entramos em contato com a operadora responsável pelo nosso serviço. A resposta foi de que não havia qualquer registro da intervenção. Instalava-se, assim, um jogo de empurra, no qual ficamos à deriva.

Como se não bastassem as recorrentes instabilidades, quedas de sinal e velocidades aquém do contratado, o caldo entortou quando buscamos uma solução. Após repetidas tentativas de contato por telefone e conversas com um robô, ainda naquela noite e no início da manhã de segunda-feira, fomos finalmente atendidos por uma funcionária que,
presa a um script previsível, reiterava a impotência de solucionar o caso em tempo hábil.

Teríamos de esperar 72 horas para receber a visita de um técnico que, supostamente, resolveria o problema. E isso, sugeria ela em tom de enfado, já deveria ser considerado satisfatório, dada a “alta demanda”.

É nesse ponto que o desrespeito ao consumidor se revela mais assustadora. Não se tratava apenas das falhas técnicas, mas da lentidão, da burocratização e da desumanização do atendimento.

Nos restou, então, aguardar até o fim desta quarta-feira, na esperança de que o serviço seja restabelecido.

E o leitor talvez pergunte: o que fizeram diante disso? Improvisamos. Fomos trabalhar no apartamento de minha filha, carregando conosco não apenas computadores e outras parafernálias, mas a incômoda certeza de que, mesmo conectados, seguimos desassistidos.

*Suzete Nocrato

Jornalista e Mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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