“Uma dessas falhas está na confusão que o PT faz na relação liderança/cadeira de prefeito”, aponta o jornalista Nicolau Araújo
Confira:
O Partido dos Trabalhadores possui uma estranha condução eleitoral de corrigir erros de campanhas no segundo turno, mesmo quando saem à frente ou quando se colocam na segunda posição.
Foi o que ocorreu na última eleição do presidente Lula e, mais recente, na vitória em segundo turno do prefeito Evandro Leitão, em Fortaleza. O mais estranho é que o partido não aprende com os próprios erros.
Assim como ocorreu em 2024, quando o então candidato André Fernandes, do PL, assumiu um protagonismo teatral, em meio a soluções mágicas apresentadas pelos demais candidatos, incluindo de forma absurda o então prefeito e candidato Sarto, ao conseguir se desnudar da função de atual gestor – a exceção foi André com o bordão “É Culpa do Sarto” -, eis novamente o PT refém da pauta de Fernandes.
Primeiro, não há como desprezar o dom do jovem político do PL na nova ordem de se comunicar com eleitores ainda desprovidos de consciência política, mas que agora se acham donos da razão, diante da reprodução do que absorvem nas redes sociais. É a mesma massa que há pouco estufava o peito para bradar “eu odeio política”. Mas agora encontram eco nos seus.
Independente de gostar ou não do governador Elmano, me causou vergonha alheia ao ver um chefe de Executivo em uma espécie de reconhecimento a André Fernandes pela maconha que ainda não havia sido incinerada em Acopiara.
Na verdade, o jovem político do PL, que exerce mandato de deputado federal, invadiu um local de crime e contaminou provas com o único objetivo de lacrar nas redes sociais… seu dom, sua arte.
Fernandes em nada colaborou com as investigações, tampouco foi o responsável para, enfim, a destinação final de 290 mil pés da droga. Como se tivesse intimidade com algum “rei do crime”, acusou, difamou e caluniou autoridades ao apontar os rumos da droga que teria sido “esquecida” no local, sem dimensionar a operação em sua área de abrangência, equipamentos de incineração e demais procedimentos que alimentam um processo judicial.
Mas o PT não precisa ter nenhum talento nas redes sociais para confrontar discursos eleitoreiros em suas ações de governo. O jogo ganhou novas regras, mas os jogadores são todos antigos. Ponto falho.
É certo que com o emprego das redes sociais, por parte dos opositores, a tradicional estratégia política se obriga à excelência, o que não tem se confirmado. Ponto falho.
Uma dessas falhas está na confusão que o PT faz na relação liderança/cadeira de prefeito. Uma situação está em Caucaia, quando o governador Elmano tem superestimado a pseudoliderança do prefeito Naumi Amorim, enquanto praticamente toda a Câmara Municipal está no apoio a Ciro Gomes. A contradição está como Naumi usa o Legislativo como mero departamento do Executivo – quisera secretaria – para a aprovação de projetos de seu interesse, a exemplos do esvaziamento do Bora de Graça (ônibus gratuito) e do aumento exorbitante do IPTU, com valores maiores que o imposto em bairros nobres de Fortaleza.
Como, então, um prefeito que possui a Câmara Municipal na mão não consegue alinhar o apoio a um projeto político que beneficiaria a cidade?
Ponto falho…
Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido