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“Está faltando homem no Brasil em três versões” – Por Paulo Rogério

Paulo Rogério é jornalista.

“Diria que, principalmente homem de vergonha”, aponta o jornalista Paulo Rogério

Confira:

Está faltando homem no Brasil?!

Não estranhe a pontuação, não é erro. Quer dizer, até há, mas o ponto, a interrogação e a exclamação na mesma frase é proposital. Fiquei na dúvida quando li as manchetes nos noticiários e repasso a bola para você, caro leitor. A depender do ponto de vista de quem começa a leitura por essa frase, ela pode ter um sentido diferente;

Para quem vê como um simples questionamento – o primeiro caso – a resposta é: sim. De acordo com dados do última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025, do IBGE, há seis milhões de mulheres a mais que homens em terras tupiniquins. Ou seja, para cada 100 mulheres existem 95 homens. Hoje, como já vem acontecendo há alguns anos, somos uma nação essencialmente feminina.

Vai ver que é por isso que, mesmo diante de tantos obstáculos, continuamos sendo um País que atrai o estrangeiro pela beleza natural, pela hospitalidade e pelo clima “caliente” do povo. Como diria o poetinha Vinícius de Moraes, me desculpem as feias, mas beleza é fundamental. E isso o Brasil tem de sobra.

Se você saiu um pouco do literal, avançou na reflexão e leu a frase como um aviso, daí a exclamação – Está faltando homem no Brasil! – pode enveredar por outro caminho. Quem sabe até ler com o outro lado da informação, tipo: “está sobrando mulher no Brasil!” ou “tem xis mulheres para cada homem”. Bem machista, não acham? Mas tem quem opte por essa leitura e ainda puxe conversa na beira do botequim entre um gole e outro de whisky e energético.

Esses são os machos alfa. Aqueles que não ficam doente e colocam dificuldade para ir ao médico. Remédios, nem pensar. Uma gripe cura-se com mel, cachaça e limão. Esses são os homens que pouco se preocupam com atividades físicas ou vida familiar. O foco é o trabalho, muito dinheiro no bolso e acúmulo de riqueza.

A própria pesquisa revela que até nascem mais homens todo ano. O problema é que muitos morrem pela violência, por acidentes, ou doenças que podiam ser evitadas com uma simples prevenção. A desigualdade começa a aparecer depois dos 25 anos.

Depois dos 60 anos, a diferença pró-sexo feminino é maior, chegando a 7 homens para cada 10 mulheres. São os velhinhos morrendo e as viúvas curtindo a vida adoidado. Ora, basta olhar as academias, as hidroginásticas, yogas, terapias. Tudo cheio de mulheres. Na corrida de rua, por exemplo, xodó dos últimos anos, a mulherada já representa 52,9% dos praticantes.

Por fim, vem o tom afirmativo da frase: Está faltando homem. Diria que, principalmente homem de vergonha. O Brasil tem hoje uma média de 4 feminicídios por dia. Foram 1.568 em 2025, o que nos colocou na 5ª posição no ranking mundial. Todo dia tem um caso e independe de classe social. De juízes a desempregados.

É o “macho” que bebe, fica valente e desconta na mulher. Tem aquele que não aceita a separação e se acha dono da esposa, da namorada, e a persegue, ameaça, agride. E tem também o homem-idiota que aproveita a fragilidade feminina para tirar proveito sexual.

Verdade. Falta homem no Brasil. Faltam homens que criem e cumpram leis mais rígidas, que tomem atitudes concretas e não esse “bla, blá, blá”. Homens que decidam levar a discussão de gênero para as escolas, educando as novas gerações, ensinando que não há diferença entre direitos de homem e mulher, negro ou branco, jovens e velhos.

Todos somos luz!

Paulo Rogério
Jornalista
paulorogerio42@gmail.com

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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