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“Estamos em guerra?”

Professor João Teles. Foto: Reprodução

Com o título “Estamos em guerra?”, eis artigo de João Teles, professor e historiador. Ele relembra artigo do médico JoséMaria Pontes, então presidente do Sindicato dos Médicos, abordando o cenário da violência no Estado em 2013.

Confira:

“Cheguei há pouco do meu plantão, no Frotinha. Nunca vi tanta violência! Todo jovem que quiser ter uma arma de fogo, tem. Cada plantão, é pior que o outro. Cansei de ver tantos jovens morrendo, tantas vidas se indo. Cansei de ver tantas mães gritando, desesperadas ao ver o filho (…) morto. Tive vontade hoje de deixar o plantão e ir embora, para viver sozinho, no alto de uma montanha.” O depoimento forte é de um petista, médico e cidadão: José Maria Pontes, presidente (à época) do Sindicato dos Médicos.

O espanto é de um profissional tarimbado, com a violência que maltrata pessoas e tira vidas. O que fazer diante de tanta tragédia?

Continua o Dr. José Maria: “Estou pensando seriamente em deixar a Medicina, ou mudar de especialidade. Chegamos ao fundo do poço. Não quero mais ser cirurgião de emergência. É de instante em instante, ver chegando um paciente grave, vítima de acidente de moto, ou paciente, também grave, com várias balas no corpo. Já gritei muito, às vezes, reconheço que falo demais, sou chato; mas ninguém faz nada. Cadê as autoridades do nosso País?”

Essa pergunta final, está na boca de muitos de nós, pobres mortais, todos os dias. Cadê o povo do poder, que poderia, pelos menos tentar resolver as coisas? A quem apelar? Por quem gritar, pelo amor de Deus?

Esse assunto é tão grave e pertinente, que deveria estar sendo pautado por igrejas, sindicatos, órgãos da Justiça, imprensa, entidades de classe, de bairro, etc. Ou seja, deveria ser uma preocupação de todos. Está difícil viver como estamos vivendo. Não podemos ir à igreja, a um aniversário, a uma exposição ou visitar um amigos ou parente, sem ter que ficar com medo de passar por uma rua ou avenida, que seja um território perigoso, ou uma “Faixa de Gaza”, dentro da cidade que escolhemos pra viver. É pra isso que votamos e pagamos tantos impostos?

Se um médico, que vive o dia a dia sangrento da cidade, entra em desespero com as situações que vivencia, o que faremos nós, que não temos domínio dessas situações? Está difícil até respirar. Governador, governador… Autoridades…

*João Teles,

Professor e historiador.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Ver comentários (1)

  • Parabéns pelo seu artigo, Professor João Teles! Sobre o assunto em foco, a violência desenfreada nos dias atuais, as elites parecem viver um dos princípios da teoria das mônadas de Leibniz: "Este é o melhor dos mundos possíveis...", isto é, nada fazem ou fecham os olhos para o problema. No

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