“Fechando o Nocivo Ciclo Lulopetista” – Por João Arruda

João Arruda, professor aposentado da UFC e sociólogo. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Fechando o Nocivo Ciclo Lulopetista”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “a conclusão a que se pode chegar é que o governo Lula enfrenta um cenário político cada vez mais adverso, tanto no plano interno quanto no internacional. O acúmulo de dificuldades econômicas, o desgaste provocado por sucessivas crises e investigações, a queda nos índices de aprovação, a crescente insatisfação de amplos setores da sociedade e as transformações do ambiente geopolítico compõem um contexto significativamente mais desfavorável do que aquele que marcou os primeiros governos petistas”, expõe o articulista.

Confira:

A menos de noventa dias das eleições presidenciais, o presidente Lula atravessa um dos momentos mais delicados de suas três gestões, gerando forte tensão no núcleo central do sistema. No cenário internacional, sua insistência em alinhar-se aos principais adversários do Ocidente, sob a bandeira de uma anacrônica política anti-imperialista, tem produzido efeitos desastrosos à imagem da nação. Para piorar o quadro, o apoio explícito à invasão russa na Ucrânia e sua forte retórica antissemita, ao defender tiranias como a do Irã e suas organizações terroristas como Hamas e Fatah, em Gaza, Hezbollah, no Líbano, Al-Qaeda e Estado Islâmico, na Síria, além dos Houthis no Iêmen, reforçam o seu isolamento internacional, aumentando a percepção de que Lula se converteu em um pária, um anão diplomático, isolado e desacreditado no concerto das nações.

Esse desgaste internacional disparou o sinal vermelho durante sua participação na recente Cúpula do G7, no Canadá. Embora tenha comparecido como convidado, Lula teve a sua presença marcada pelo isolamento, onde a maioria dos presentes evitou, de forma ostensiva, qualquer aproximação com o pária brasileiro. Contrastando com o seu inflado ego, Lula tornou-se uma figura tóxica, encerrando sua presença no encontro sem realizar nenhuma das reuniões bilaterais aguardadas, entre elas com o presidente Trump, que ostensivamente o rejeitou, o mesmo ocorrendo com Volodimir Zelenski, da Ucrânia, e com o chanceler alemão Friedrich Merz. Além da explícita recusa de contatos dos presentes, a grande mídia mundial repercutiu negativamente sua atuação no G7, adjetivando-o de Lula Biden, numa clara comparação com o demente ex-presidente norte-americano.

Se no plano externo a imagem do Lula já é profundamente negativa, no interno sua situação beira o desespero. Incapaz de circular livremente pelas ruas ou participar de atos populares, como se viu em 2 de julho, em Salvador, ele limita-se a aparições em recintos fechados, reflexo da consciência sobre sua rejeição popular e do abismo entre retórica e realidade. Após três anos e meio de governo, o descondenado não apresenta uma só realização relevante; ao contrário, seu legado tende a ser lembrado como sinônimo de incompetência, irresponsabilidade, corrupção e desprezo pela boa gestão pública.

A irresponsabilidade fiscal do seu governo é escandalosa: deficits sucessivos corroem a economia e comprometem o futuro do país. Em 42 meses de gestão do autodenominado “Partido dos Trabalhadores”, foram criados 37 novos impostos e taxas, elevando a carga tributária a 34,24% do PIB, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Isso obriga o brasileiro a trabalhar 149 dias por ano apenas para sustentar uma máquina estatal ineficiente e corrupta. Mesmo com esse aumento extorsivo da tributação, o deficit público aumenta e as demandas urgentes da população permanecem ignoradas, enquanto a dívida interna ultrapassa R$ 10 trilhões e o Brasil ostenta a segunda maior taxa de juros do planeta.

Como previsível, essa política fiscal irresponsável compromete seriamente o desempenho da economia, reduzindo a competitividade das empresas, afastando investimentos privados e aprofundando a insegurança econômica. O resultado é um círculo vicioso de baixo crescimento, crédito caro e escasso, perda de confiança de empresários e consumidores e deterioração das condições de emprego e renda.

Os números confirmam esse cenário: levantamento da FIESP mostra que a indústria paulista registrou o pior primeiro semestre de toda a série histórica, com projeção de queda de quase 5% nas vendas até o fim do ano, evidenciando a fragilidade do ambiente econômico e das condições propícias para o início da recessão. Na campanha eleitoral, Lula prometeu picanha, cerveja e uma vida digna para os brasileiros. A realidade, porém, seguiu direção oposta. Em vez de prosperidade, o lulopetismo entregou miséria, com grande parte da população enfrentando a inflação corroendo seu poder de compra, dificuldades econômicas e crescente vulnerabilidade social.

A inadimplência atingiu o maior nível da série histórica em janeiro de 2026, com 81,3 milhões de endividados, segundo o levantamento Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, realizado mensalmente pelo Serasa. Os dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) comprovam a piora das condições de vida dos brasileiros: a população em situação de rua saltou de 198,7 mil pessoas em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026, com crescimento de 97,4%, com milhares de novos registros a cada mês.

Durante a atual gestão lulopetista, a violência alcançou patamares intoleráveis em todo o território nacional. A indiferença, ou mesmo a conivência, do governo com o crime organizado abriu espaço para que facções criminosas se consolidassem como Estado paralelo. Essas organizações criminosas, que Lula se recusa a considerá-las terroristas, impõem regras arbitrárias nos territórios que dominam, aplicam punições brutais a quem ousa desobedecê-las e restringem a liberdade de circulação. Intimidam, ameaçam, extorquem comerciantes e prestadores de serviço, controlam o transporte alternativo, recrutam compulsoriamente adolescentes e jovens para atividades ilícitas e monopolizam setores inteiros da economia, como a distribuição de gás, internet clandestina e transporte local, onerando a vida nas comunidades. Estudos apontam que entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros, aproximadamente um quarto da população, vivem sob o jugo direto dessa opressão criminosa.

Em contraste com a postura evasiva do governo Lula, a opinião pública repudia essa postura de afabilidade e conivência. Pesquisa nacional realizada pelo instituto Ibespe em novembro de 2025 revelou que 72,8% dos entrevistados defendem o enquadramento das facções como grupos terroristas, enquanto apenas 18,8% se opuseram e 8,4% não souberam responder. A discrepância entre a vontade popular e a inércia governamental expõe um abismo perigoso: enquanto o Estado se recusa a reprimir, pois “os nossos bandidos” são considerados vítimas da sociedade, milhões de cidadãos permanecem reféns do terror cotidiano imposto pelo crime organizado, sem direito à soberania e à cidadania.

Finalmente, os avanços das investigações da Operação Compliance Zero e das apurações sobre as fraudes no INSS reforçam a percepção, amplamente difundida entre parcela da população brasileira, de que a promiscuidade entre poder político e interesses privados, aliada à apropriação indevida de recursos públicos, constitui uma característica recorrente associada ao PT, sintetizada na expressão de que PT e a corrupção seriam “irmãos siameses”.

Diante desse conjunto de fatores, a conclusão a que se pode chegar é que o governo Lula enfrenta um cenário político cada vez mais adverso, tanto no plano interno quanto no internacional. O acúmulo de dificuldades econômicas, o desgaste provocado por sucessivas crises e investigações, a queda nos índices de aprovação, a crescente insatisfação de amplos setores da sociedade e as transformações do ambiente geopolítico compõem um contexto significativamente mais desfavorável do que aquele que marcou os primeiros governos petistas. Nesse conjuntura, torna-se evidente que o ciclo político lulopetista caminha a passos largos para o seu inevitável fim.

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

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