“Fim da jornada 6×1: qualidade de vida também deve ser prioridade” – Por Claudemir Campos

Claudemir Campos é presidente do Sindicato dos Psicólogos do Ceará

“A escala 6×1 reduz drasticamente o tempo disponível para lazer, qualificação profissional e convivência com filhos, pais e amigos. A consequência é uma sociedade cada vez mais cansada, adoecida e sobrecarregada”, aponta o psicólogo Claudemir Campos

Confira:

A discussão sobre o fim da jornada 6×1 vai muito além das relações trabalhistas. Ela envolve saúde pública, dignidade humana e qualidade de vida. Em uma rotina em que milhões de trabalhadores dedicam seis dias da semana ao trabalho e possuem apenas um para descanso, o resultado costuma ser exaustão física, desgaste emocional e redução do convívio familiar.

Especialistas em saúde mental alertam que jornadas excessivas estão diretamente associadas ao aumento de casos de ansiedade, estresse crônico, síndrome de burnout e transtornos do sono. O corpo humano precisa de tempo adequado para recuperação física. Quando isso não acontece, o trabalhador permanece em estado constante de alerta, comprometendo produtividade e até relações sociais.

Além disso, a escala 6×1 reduz drasticamente o tempo disponível para lazer, qualificação profissional e convivência com filhos, pais e amigos. A consequência é uma sociedade cada vez mais cansada, adoecida e sobrecarregada.

Defender jornadas mais equilibradas não significa ser contra o desenvolvimento econômico. Pelo contrário. Diversos especialistas em produtividade apontam que trabalhadores descansados tendem a apresentar maior foco, menor índice de erros e melhor desempenho. Qualidade de vida também impacta diretamente o ambiente corporativo, reduzindo afastamentos e aumentando engajamento.

O debate sobre o fim da escala 6×1 precisa ser tratado com responsabilidade e humanidade. Afinal, trabalho é essencial, mas viver também é importante. Nenhum crescimento econômico pode ser sustentado às custas do adoecimento físico e mental de quem move a sociedade diariamente.

Claudemir Campos
Presidente do Sindicato dos Psicólogos do Ceará

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Uma resposta

  1. Cabe alertar que muitos não podem mais dispensar as horas extras que trazem outros benefícios que melhoram o FGTS, 13°, férias e previdência maior.
    Assim os dias de folga que irão conseguir não serão preenchidos com lazer mas com trabalhos informais e eventuais.

    E esses serviços eventuais nas horas de folga não dão esses benefícios.
    Muitos que pensam ser bom diminuir a carga horária não tem ideia da dureza de trabalhar praticamente todos os dias para sobreviver.
    Infelizmente vão precisar trabalhar nessas horas que todos gostaríamos que fossem de descanso.
    Basta observar servidores da área da saúde que trabalham 12 horas mas em vez de descansar continuam a jornada como cuidadores.

    Servidores públicos foram contemplados com planos generosos e não precisam trabalhar na folga enquanto os pobres deixam de contar com esses recursos para pagar uma casta e esses recursos deveriam ir para SAÚDE e SANEAMENTO, por exemplo.

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