Já pensou em passar alguns dias em uma cidade onde as conversas giram em torno de livros? Onde uma esquina pode guardar um encontro inesperado com aquele escritor que você tanto admira, ou um produtor cultural francês em busca de boas histórias capaz de mudar o caminho de um autor? Durante a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, a literatura ocupa as ruas, os casarões, os cafés e até o silêncio das pedras antigas da cidade histórica.
Mas será que vale a pena atravessar o país para viver essa experiência sendo um autor cearense?
A pergunta não tem resposta simples.
A Flip encanta, mas também desafia. A cidade fica lotada. Hospedagem acaba rápido e costuma ficar cara. Comer exige paciência. Circular entre tantos eventos pede planejamento. No meio de uma multidão de escritores, editoras, jornalistas e leitores, fica uma dúvida: dá para ser visto?
Seria a Flip uma espécie de Carnaval dos escritores? Um lugar onde todos querem estar, onde há encontros, celebração, excesso, disputa por espaço e aquela esperança de que alguma coisa extraordinária aconteça?
Para alguns autores cearenses que estarão em Paraty, a resposta é: sim, vale a pena. Mas não necessariamente pelo retorno imediato.
O escritor Maurício Mendes, autor do romance “O Homem Não Foi Feito Para Ser Feliz”, sabe bem o peso financeiro dessa escolha.
“A Flip é um evento caro, principalmente para a gente que está aqui no Nordeste. Os preços são bastante elevados durante a realização do evento e a gente não tem garantia de nada. Não tem garantia de que vai conseguir ser visto, ser lembrado ou ter sucesso de vendas”, avalia.
Mesmo assim, ele acredita que a presença nesses espaços faz parte da construção de uma trajetória. “Para o autor independente vale a pena ir. É melhor do que não ir. Não dá para construir uma carreira se a gente não participa desses eventos. Acaba sendo um investimento que não vai se reverter imediatamente em uma alavancagem de carreira, mas é muito difícil construir um projeto literário sério, atrair atenção das editoras, se a gente não participa dos grandes eventos”, afirma.
Maurício viveu na Flip passada uma daquelas histórias que parecem pertencer ao universo dos romances. Durante o lançamento de seu livro no estande da editora Mondru, passou horas conversando com leitores e autografando exemplares. Um deles era um cineasta francês.
O visitante comprou o livro, pediu dedicatória e foi embora. Cerca de quarenta minutos depois, voltou ao estande pedindo um contato do escritor.
“Às vezes eu lembro dessa história. Será que a qualquer momento vai chegar um e-mail dizendo que ele gostou do livro e quer fazer uma adaptação? A gente sabe que a chance dessas coisas acontecerem é mínima, mas é exatamente assim que essas coisas acontecem”, brinca.
E talvez seja essa uma das magias da Flip: ninguém sabe qual conversa pode atravessar o caminho de um livro.
Desde então, “O Homem Não Foi Feito Para Ser Feliz” ampliou seu percurso. O romance entrou em listas de mais vendidos em livrarias de Fortaleza, passou a circular em clubes de leitura e ganhou espaço em veículos especializados. Neste ano, Maurício retorna a Paraty em outro momento da carreira: agora como autor agenciado pela Agência Carreira Literária.
“Eu volto com outro status de autor. Vou participar de mesa, apresentar meu trabalho e também tenho expectativa de discutir novos projetos”, conta.
O escritor terá uma programação dedicada ao romance, com um clube de leitura no Auditório do Areal e o lançamento de um material de apoio criado pela editora para mediações literárias da obra.
Agenda Maurício Mendes na Flip:
Quinta-feira, 23 de julho
11h30 às 12h30 | Mesa exclusiva (Solo)
Autor: Maurício Mendes (O homem não foi feito para ser feliz)
Local: Auditório do Areal
Sexta-feira, 24 de julho
11h40 às 12h40 | Mesa “Classe, raça e masculinidades em crise na literatura contemporânea”
Com Airton Souza, Maurício Mendes e Boris Calazans.
Mediação: Charlene Ximenes.
Local: Casa PublishNews
14h às 15h | Mesa “Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira”
Com Maurício Mendes, Marcelo Nery, Rafael Caneca e Carolina Santos.
Local: espaço da editora Orlando, na Casa Opera
Sábado, 25 de julho
16h40 às 17h20 |Sessão de autógrafos no estande da editora Mondru (Praça do Areal).
Já Rafael Caneca, autor de “Não Volte Sem Ele”, publicado pela editora Mondru, também vê a Flip como um espaço de construção. Esta será sua terceira participação no evento, mas a primeira com um significado diferente: agora como escritor dentro da programação.
“Tem um gostinho especial participar como escritor. Na última vez que fui, falei que ainda iria participar como convidado. Está chegando esse momento. A gente vai conquistando aos poucos”, comemora.
Ele lembra que suas experiências anteriores foram como visitante e participante de atividades paralelas. Agora, estará em um espaço destinado a editoras independentes, coletivos e novos autores.
“Vou lançar o livro, participar dos eventos, circular, encontrar outros autores. A Flip também é esse lugar de encontro”, destaca.
Agenda Rafael Caneca:
Mesa: “Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira”
Data: 24 de julho de 2026
Horário: 14h
Local: Espaço da Orlando, Casa Opera, Paraty (RJ)
Sessão de autógrafos – Praça Aberta de Autores Independentes
Data: 24 de julho de 2026
Horário: 16h
Local: Praça Aberta de Autores Independentes, Paraty (RJ)
Mesa: “Luto, memória e cura na literatura”
Data: 25 de julho de 2026
Horário: 12h
E se para alguns a Flip representa continuidade de uma caminhada, para outros representa a realização de um sonho.
É o caso da escritora Vera Marques. Autora independente, ela participa pela primeira vez como expositora e faz questão de carregar uma bandeira: a literatura também tem espaço para quem começa depois dos 60.
Inspirada por trajetórias como a de Cora Coralina, que publicou seu primeiro livro aos 75 anos, Vera gosta de se apresentar como uma escritora 60+.
“Ser 60+ dentro do contexto de escritora é representar a nossa bela idade dentro da literatura. Comecei nessa idade e estou muito feliz com o meu desempenho no cenário cearense e agora nacional”, afirma.
Para chegar à Flip, Vera se organizou junto com outros escritores para dividir um estande e também foi selecionada em uma programação dedicada a autores independentes.
“Eu tinha esse sonho de participar da Flip. É uma satisfação gigante poder estar em Paraty, uma cidade cultural, com a possibilidade de encontrar grandes escritores e escritoras, fazer contatos e mostrar a literatura cearense”, diz.
Os autores que representam o coletivo Autores do Brasil nesta edição são:
Victor Sousa (CE/SP) – Da química às palavras, da ciência à literatura, Victor constrói pontes entre mundos que muitos imaginam distantes. Escritor desde a infância, transforma conhecimento, sensibilidade e experiências de vida em histórias que convidam o leitor à reflexão e ao autoconhecimento.
Rômulo Moraes (CE) – Professor de Matemática e Inglês, mestre de RPG (Roleplaying Game) e contador de histórias, reúne mais de duas décadas de experiência criando narrativas e personagens que despertam a imaginação e aproximam leitores do universo literário.
Vera Marques (CE) – Professora, pedagoga e escritora, possui uma trajetória reconhecida por importantes premiações e seleções em editais da Secult-CE e Secultfor. Sua produção valoriza a memória, a educação e as transformações sociais, além de já ter participado como autora convidada em bienais de Pernambuco e Alagoas.
Cinara Cordeiro (CE) – Psicanalista, pedagoga, palestrante e escritora, especialista em Neurociência, adoção e comportamento desafiador. Sua obra dialoga com educação, desenvolvimento humano e saúde emocional, levando conhecimento e acolhimento a milhares de pessoas.
Dlaman Kobina (DF) – Educador, pesquisador e fundador da AMANDLA | Educação Preta. Mestre em Educação, Linguagem e Tecnologias, dedica sua produção literária e acadêmica à valorização da história, da filosofia e das culturas africanas e afro-brasileiras, fortalecendo uma educação inclusiva e afrocentrada.
Inácia Girão (CE) – Natural de Morada Nova, é mestre em Administração e uma das importantes vozes da literatura cearense contemporânea. Integra instituições como a Academia Feminina de Letras do Ceará, a Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno e a Associação Cearense de Escritores, levando a riqueza cultural do Ceará para o cenário nacional.
Denilson Vieira (CE) – Escritor, psicólogo, produtor cultural e idealizador de diversos projetos literários, dedica sua trajetória ao fortalecimento da literatura independente brasileira. Coordena o coletivo Autores Independentes do Brasil, o Instituto Palavra que Liberta e iniciativas que utilizam o livro, a leitura e a escrita como instrumentos de transformação social.
A presença cearense na Flip também será marcada pela força dos autores independentes que decidiram ocupar coletivamente esse espaço.
O escritor Denilson Vieira, psicólogo, produtor cultural e coordenador do coletivo Autores Independentes do Brasil, retorna ao evento pela segunda vez como autor. Na edição anterior, participou da programação da Casa da Leitura e do Conhecimento, a
convite da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, em uma conversa sobre culturas, expressões e religiões afro-brasileiras.
“Foi uma experiência extremamente enriquecedora, tanto pelo diálogo com o público quanto pela oportunidade de compartilhar o trabalho que desenvolvemos”, relembra.
Neste ano, ele volta com uma missão ainda maior: abrir caminhos para outros escritores. O coletivo Autores Independentes do Brasil terá um estande próprio no Centro Histórico de Paraty, reunindo autores de diferentes estados e com forte presença cearense.
Durante os cinco dias de evento, o espaço será dedicado a lançamentos de livros, sessões de autógrafos, encontros com leitores, rodas de conversa e divulgação das obras.
Além de Denilson, participam do coletivo os autores Victor Sousa, Rômulo Moraes, Vera Marques, Cinara Cordeiro, Inácia Girão e Dlaman Kobina, representando diferentes trajetórias e formas de fazer literatura.
“Mais do que participar de uma das maiores festas literárias da América Latina, nossa proposta é mostrar a força da literatura independente brasileira, criando oportunidades para que escritores de diferentes regiões do país ocupem espaços de visibilidade, dialoguem com novos públicos e ampliem o alcance de suas obras”, destaca Denilson.
No fim das contas, talvez a Flip seja mesmo o Carnaval dos escritores, não porque todos saem de lá famosos nem porque um livro muda de vida em cinco dias, mas porque existe algo simbólico em ocupar aquele espaço.
Para um escritor independente, especialmente vindo do Nordeste, estar em Paraty é dizer: este lugar também pertence a mim.
A literatura é feita de palavras e encontros. Talvez o maior retorno da Flip seja justamente aquilo que não cabe em números: uma conversa inesperada, uma porta entreaberta, um leitor descobrindo um livro que talvez nunca encontrasse.
Só digo uma coisa: se eu fosse, iria colocar na mochila exemplares de autores independentes pra irem junto comigo, pois antes de um livro chegar longe, alguém precisa levá-lo.
Boa sorte pra vocês, meus queridos!
Lançamento do livro
Especialista em gestão estratégica de negócios, Nacelio Maia lança livro com método para fortalecer pequenas e médias empresas
Com quatro décadas de experiência em gestão empresarial, o executivo e especialista em gestão estratégica de negócios Nacelio Maia lança o livro DNA da Gestão Simples e Ágil, obra que reúne aprendizados práticos para ajudar pequenos e médios empreendedores, gestores e líderes a desenvolver negócios mais organizados, eficientes e preparados para crescer.
Reconhecido por sua atuação na formação de lideranças e no desenvolvimento de modelos de gestão voltados à realidade das empresas brasileiras, Nacelio apresenta na publicação ferramentas que podem ser aplicadas por organizações de diferentes segmentos. Entre elas estão o Mapa das 10 Áreas Vitais de uma Empresa e o método DMV – Domínio Mínimo Viável, criado para orientar gestores a dominarem os fundamentos da administração antes de ampliar processos e operações.
A proposta do livro é traduzir conceitos estratégicos em ações práticas, mostrando que a gestão não precisa ser complexa para gerar resultados consistentes. Ao longo da obra, o autor aborda temas como liderança, planejamento, cultura organizacional, desenvolvimento de equipes e tomada de decisão, sempre com foco na aplicação no dia a dia das empresas.
A publicação também reúne experiências que marcaram a trajetória profissional de Nacelio Maia. Entre elas, uma vivência em Guiné-Bissau, que ampliou sua visão sobre liderança e valores humanos, e a participação em um painel do Sebrae Nacional ao lado do ex-jogador Raí, discutindo como princípios do esporte podem contribuir para uma gestão empresarial mais eficiente.
Mais do que apresentar técnicas de administração, DNA da Gestão Simples e Ágil reforça que pessoas bem desenvolvidas são o principal diferencial competitivo das organizações. A obra defende uma liderança baseada em responsabilidade, aprendizado contínuo e alta performance, oferecendo um roteiro para empresários que buscam estruturar seus negócios de forma sustentável.
O lançamento consolida Nacelio Maia como uma das vozes dedicadas ao debate sobre gestão estratégica aplicada às pequenas e médias empresas, segmento responsável por grande parte da geração de emprego e renda no país.
SERVIÇO
Lançamento do livro DNA da Gestão Simples e Ágil, de Nacelio Maia
Data: 16 de julho, quinta-feira
Horário: 19h
Local: Auditório do Senac – Avenida Desembargador Moreira, 1301 – Aldeota