“De acordo com levantamento da KPMG Brasil, 91% das empresas abertas brasileiras afirmam possuir políticas corporativas de gerenciamento de riscos, enquanto 80% já contam com áreas dedicadas exclusivamente à gestão de riscos corporativos”, aponta o administrador Fabiano Mapurunga
Confira:
A governança corporativa e o compliance financeiro tornaram-se elementos estratégicos para empresas que desejam crescer de forma sustentável, atrair investidores e reduzir riscos operacionais. Em um cenário marcado por maior rigor regulatório, avanços tecnológicos e pressão por transparência, organizações que investem em boas práticas de governança apresentam maior capacidade de adaptação e geração de valor.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em parceria com a EY Brasil e o escritório TozziniFreire Advogados, as companhias abertas brasileiras atingiram, em 2025, uma média de 68,2% de aderência às práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa. O índice representa crescimento acumulado de 17,1% desde 2019, demonstrando avanço consistente na maturidade da gestão corporativa no país.
A governança corporativa pode ser definida como o conjunto de práticas, políticas e estruturas que orientam a administração das empresas. Seu objetivo principal é alinhar os interesses de acionistas, executivos, conselhos administrativos e demais stakeholders, promovendo ética, transparência, equidade e responsabilidade corporativa.
Nesse contexto, o compliance financeiro atua como um mecanismo de controle e conformidade, garantindo que a organização cumpra normas legais, regulatórias e internas relacionadas à gestão financeira. Isso inclui prevenção à fraude, combate à lavagem de dinheiro, gestão de riscos, auditoria interna e adequação às exigências dos órgãos reguladores.
De acordo com levantamento da KPMG Brasil, 91% das empresas abertas brasileiras afirmam possuir políticas corporativas de gerenciamento de riscos, enquanto 80% já contam com áreas dedicadas exclusivamente à gestão de riscos corporativos. O estudo destaca que ambientes de negócios mais complexos e instáveis exigem estruturas robustas de governança para lidar com riscos emergentes, incluindo cibersegurança, inteligência artificial e ESG.
Além disso, a prevenção a fraudes financeiras tornou-se prioridade estratégica. Pesquisa da Deloitte Brasil, realizada em parceria com o IBGC, revelou que 90% das organizações brasileiras já possuem algum sistema ou ferramenta de investigação de fraudes. O dado demonstra a crescente preocupação das empresas com controles internos e mecanismos de integridade corporativa.
Outro estudo, divulgado pela Grant Thornton Brasil, apontou que 63% das empresas brasileiras identificaram pelo menos um caso de fraude nos últimos 12 meses. Segundo a pesquisa, 94% dessas
ocorrências estavam associadas a falhas em controles internos, evidenciando a importância do compliance financeiro como instrumento preventivo.
A adoção de boas práticas de governança também influencia diretamente a percepção do mercado financeiro. Empresas listadas no Novo Mercado da B3, segmento com exigências mais rigorosas de governança, registraram aderência média de 80,1% às práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa. Isso reforça a relação entre governança sólida, confiança dos investidores e acesso facilitado ao capital.
No ambiente corporativo contemporâneo, a governança deixou de ser apenas um diferencial competitivo para tornar-se um requisito de sobrevivência empresarial. Investidores institucionais, bancos e fundos de investimento passaram a considerar indicadores de integridade, transparência e gestão de riscos como critérios decisivos para aportes financeiros.
A transformação digital também alterou significativamente o papel do compliance financeiro. Ferramentas de inteligência artificial, analytics e automação passaram a ser utilizadas no monitoramento de transações suspeitas, auditorias contínuas e identificação de riscos operacionais em tempo real. Essa modernização reduz custos, aumenta a eficiência e fortalece a capacidade preventiva das empresas.
Outro aspecto relevante é a integração entre governança corporativa e ESG (Environmental, Social and Governance). Pesquisa internacional da RSM revelou que 85% das empresas brasileiras consideram governança corporativa e gestão de riscos ESG como prioridade máxima. Entre os entrevistados, 76,1% apontaram especificamente a governança corporativa como principal foco estratégico para os próximos anos.
Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios importantes. A sucessão de lideranças, por exemplo, ainda representa um dos principais gargalos da governança empresarial brasileira. Estudos do IBGC mostram que muitas empresas ainda tratam o planejamento sucessório de forma operacional, sem integração estratégica ao conselho de administração.
Além disso, pequenas e médias empresas frequentemente enfrentam dificuldades para implementar programas estruturados de compliance devido a limitações financeiras e culturais. Em muitos casos, a ausência de treinamentos, controles internos adequados e canais de denúncia compromete a efetividade das políticas de integridade.
No cenário global, organizações com estruturas sólidas de governança tendem a apresentar melhor desempenho financeiro e maior resiliência em períodos de crise. Estudos acadêmicos internacionais indicam que mecanismos eficientes de governança podem contribuir positivamente para indicadores de performance financeira e valorização corporativa.
Dessa forma, a governança corporativa e o compliance financeiro devem ser compreendidos como investimentos estratégicos e não apenas obrigações regulatórias. Empresas que fortalecem sua cultura ética, aprimoram controles internos e promovem transparência conquistam maior credibilidade perante investidores, clientes e sociedade.
Em um mercado cada vez mais competitivo e fiscalizado, a capacidade de alinhar integridade, eficiência operacional e responsabilidade corporativa será determinante para a sustentabilidade e longevidade das organizações.