“Montagem da estrutura de capital ideal: DÍVIDA X EQUITY” – Por Fabiano Mapurunga

“Quando faz sentido se alavancar sempre procurando o equilíbrio entre risco e crescimento”, aponta o administrador Fabiano Mapurunga

Confira:

Um dos principais pontos para se estabelecer um crescimento sustentável em qualquer empresa é se conseguir tomar decisões financeiras estratégicas. Vamos comentar agora sobre uma destas principais decisões que é a definição da estrutura de capital — ou seja, a forma como o negócio financia suas operações: com recursos próprios (equity) ou com capital de terceiros (dívida).

Em primeiro plano a escolha parece ser bastante simples. Porém na prática, é uma equação delicada que se propõe a encontrar o equilíbrio entre risco, custo e potencial de crescimento.

Vamos às definições de “dívida” e “equity”?

Equity (capital próprio) é o dinheiro colocado na empresa pelos sócios ou investidores. Apesar de não exigir pagamento de juros nem devolução em curto prazo, ele implica dividir participação e lucros.

Dívida (capital de terceiros) aqui entram os empréstimos bancários, financiamentos ou emissão de títulos. Obriga o pagamento de juros e a devolução do valor no prazo pré-determinado.

Os dois apresentam vantagens e desvantagens, é necessário saber quando usar cada um.

Alavancagem: Benefício X Risco

Contrair dívida pode vir a ser uma ferramenta interessante para o crescimento. Daí vem a chamada alavancagem financeira.

Vejamos como funciona: caso uma empresa tomasse um dinheiro emprestado a um custo de 10% ao ano, mas conseguisse investir esse capital em projetos que lhes retornariam 15%, ela iria capturar a diferença como ganho adicional. Ou seja, aumentaria o retorno sobre o capital próprio.

Porém, é importante ter consciência que esse efeito ocorre nos dois sentidos.

Caso o retorno do investimento seja menor que o custo da dívida, o prejuízo também será ampliado. Ao passo que, a dívida traz obrigações fixas — independentemente do desempenho da empresa.

Vamos agora ver, quando faz sentido usar dívida

Buscar a alavancagem pode gerar mais eficiência nos seguintes cenários específicos:

· Fluxo de caixa previsível: empresas com receitas estáveis conseguem honrar compromissos com mais segurança.

· Custo de capital baixo: juros menores tornam a dívida mais atrativa.

· Projetos com retorno claro: investimentos que têm alta probabilidade de gerar retorno acima do custo da dívida.

· Negócios maduros: empresas mais estruturadas geralmente têm maior capacidade de gestão de risco.

ATENÇÃO

Usar dívida para corrigir prejuízos recorrentes ou desorganização financeira é um grande sinal de alerta. Nesse caso, a alavancagem poderá agravar mais ainda problemas financeiros já instalados.

Em quais momentos buscar o equity é o melhor caminho?

O capital próprio é mais indicado em momentos de incerteza ou crescimento acelerado.

Uma Startup, por exemplo, dificilmente apresenta fluxo de caixa estável no início da sua operação. Neste momento, contrair dívida pode ser arriscado. O equity entra como uma alternativa mais flexível, pois não pressiona o caixa no curto prazo.

Além disso, investidores trazem mais do que dinheiro: experiência, rede de contatos e visão estratégica.

O ponto de atenção é a forte diluição. Quanto mais capital externo a empresa capta, menor tende a ser a participação dos fundadores no longo prazo.

Desafio Expresso: encontrar o equilíbrio

Não há um modelo único para se montar uma estrutura de capital ideal. O que se precisa buscar é um equilíbrio dinâmico.

A eficiência consiste em combinar dívida e equity de forma estratégica, buscando:

· Reduzir o custo total de capital

· Manter flexibilidade financeira

· Controlar o nível de risco

· Maximizar o valor do negócio no longo prazo

Tal equilíbrio sofrerá mudanças com o tempo. Uma empresa pode iniciar com mais equity e, à medida que se torna previsível, passar a usar mais dívida.

Alguns Indicadores irão ajudar nas decisões

· Endividamento: mede o quanto a empresa depende de capital de terceiros

· Cobertura de juros: indica a capacidade de pagar dívidas

· Retorno sobre capital (ROE/ROIC): mostra a eficiência dos investimentos

· Custo médio de capital (WACC): revela o custo combinado entre dívida e equity

Esses números ajudam a transformar uma decisão subjetiva em algo mais técnico e estratégico.

Influência do cenário econômico

Certamente as ocorrências do ambiente externo influenciam.

Em temporadas de juros baixos, a dívida tende a ser mais atrativa. Porém em cenários de instabilidade ou inflação alta, o risco aumenta — e a cautela se torna essencial.

Empresas que ignoram o contexto macroeconômico podem tomar decisões desalinhadas com o mercado.

Em resumo

A escolha entre dívida e equity não é uma disputa com efeitos evidentes. É uma ferramenta estratégica que precisa ser ajustada constantemente.

Se alavancar faz sentido quando há controle, previsibilidade e retorno claro. Por outro lado, o uso excessivo de dívida pode comprometer a sobrevivência do negócio.

No fim, a estrutura de capital ideal é aquela que permite crescer sem perder o controle do risco.

Empresas que dominam esse equilíbrio não apenas crescem — elas crescem com consistência, inteligência e sustentabilidade

Fabiano Mapurunga: Fabiano Mapurunga é Mestre em Administração de Empresas com ênfase em Finanças pela Unifor, Pós-Graduado em Gestão de Negócios pelo INSPER, MBA em Gestão Financeira e Controladoria pela FGV, MBA em Agronegócios pela USP/ Esalq e Graduado em Administração de Empresas pela UFC. Possui experiência de 23 anos na área de Finanças Corporativas. Atualmente trabalha com inovação e consultoria financeira para empresas nacionais, além de se dedicar a novos negócios e investimentos. É professor universitário em cursos de Pós Graduação e autor de vários artigos.

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