“Jesus não tem caráter na assembleia dos falsos profetas evangélicos” – Por Ricardo Nêggo Tom

Ricardo Nêggo Tom é músico e jornalista

“Tendo o ódio aos pobres como pão, e o puro suco do bolsonarismo como vinho, Malafaia serviu a santa ceia do diabo à sua igreja”, aponta o jornalista e músico Ricardo Nêggo Tom

Confira:

Um puro suco de bolsonarismo foi servido como vinho na “Santa Ceia” da Empresa da Fé de Silas Malafaia no último domingo. Tendo o ódio aos mais pobres como o pão que alimenta e fortalece o projeto de poder neopentecostal no país, fiéis comeram e beberam do corpo e do sangue de candidatos que simbolizam a falsa salvação que o projeto de poder político evangélico oferece àqueles que dobram o joelho diante de sua autoridade religiosa. Corpos imersos em corrupção e mentiras, cujo sangue é ruim e denota a essência perversa de tais figuras. Flávio Bolsonaro, Sóstenes Cavalcante, Cláudio Castro, Marcelo Crivella, estavam entre os “ungidos” que subiram ao altar para serem abençoados por Malafaia e suas ovelhas sem raciocínio.

Se aqui estivesse, Jesus teria entrado de voadora no peito do leviano pastor, e chicoteado a ele, e os homens que ele pôs no altar e apresentou como escolhidos por Deus na política brasileira. Da mesma forma que destruiu o templo em Jerusalém, Jesus colocaria abaixo a masmorra edílico-religiosa construída pelo falso profeta, e que aprisiona milhões de mentes sob a égide da vontade divina. Como se não bastasse a unção política ministrada pelo histriônico charlatão, ele ainda atacou a igreja católica – a qual chamou de berço do PT – e amaldiçoou o Bolsa-Família, um programa de já tirou milhões de pessoas da extrema pobreza e da completa e absoluta fome. Um evangelho oposto ao que Jesus pregou, e alinhado a uma extrema direita que odeia pobres e pretende escravizá-los de forma moderna e neoliberal.

Silas Malafaia é um delinquente religioso, assim como seu colega de púlpito Marco Feliciano, que durante um congresso evangélico em Santa Catarina apresentou Carlos Bolsonaro – outro filho do verdadeiro Messias Salvador da maioria dos evangélicos brasileiros – como escolhido de Deus para o Senado naquele estado. Feliciano chegou a dizer que “Deus ungiu a família Bolsonaro para governar o país”, e convocou a igreja a orar por todos eles. “Quando oramos por um Bolsonaro, oramos por todos da família”, decretou ele, com a cara mais lavada e cheia de Botox do mundo. Uma orgia político-religiosa de fazer inveja às surubas nas casas de banho que Calígula organizava no Império Romano. Ode a cafajestice em nome de Deus.

Ambos, Malafaia e Feliciano, são contra os trabalhadores, querem manter a escala 6×1, querem reduzir ainda mais os direitos trabalhistas que restaram, mas se dizem homens de Deus encarregados de conduzir suas ovelhas para o paraíso. Ao lado de Bolsonaro, Silas Malafaia já questionou “por que os trabalhadores têm tantos privilégios neste país”, e apoiou o fim dos direitos trabalhistas para aliviar os patrões. Marco Feliciano considera o fim da escala 6×1 “uma excrescência”, e defende o trabalho até a exaustão para obter a prosperidade. Nem Malafaia, nem Feliciano, trabalham até a exaustão, porque vivem às custas do dízimo de seus fiéis, e dos impostos pagos pelos cidadãos, no caso do pastor deputado. Isso é uma excrescência!

Tais falas e posicionamentos vindos de líderes religiosos que ficaram milionários com suas empresas da fé, deveria provocar um forte clamor popular pelo fim da isenção tributária para igrejas no Brasil. Outra excrescência que conta com a benção de um Estado que vive enxugando gastos quando se trata de benefícios para os mais pobres, mas que continua alimentando a ganância e a esperteza dos mais ricos com benesses tributárias. Em qualquer país sério, esses picaretas da fé estariam na cadeia, e nem Jesus iria visitá-los. A igreja virou palanque eleitoral e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro – o primogênito do “Pai” – teve seu início antecipado nas barbas do TSE, que agora é presidido por mais um terrivelmente diabólico, digo, evangélico. É o Brasil largando na frente para o apocalipse. O fim realmente nunca esteve tão próximo. Cada vez mais próximo deste país.

Ricardo Nêggo Tom
Músico, graduando em jornalismo, locutor, roteirista, produtor e apresentador dos programas “Um Tom de resistência”, “30 Minutos” e “22 Horas”, na TV 247, e colunista do Brasil 247

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