“Lula já perdeu e o destino é ser trincheira” – Por Allan Aguiar

Allan Aguiar, ex-titular da Setur do Ceará. Foto: Abav

“Sem a máquina federal para impulsionar suas campanhas com verbas e obras, e com ela sob o controle do exército 22, serão remotas as chances de a volante 13 conseguir segurar o tsunami Flávio/Andrezinho/Ciro, que promete inundar Fortaleza nas próximas eleições”, aponta o ex-secretário estadual Allan Aguiar

Confira:

Rabo não balança cachorro, mas sim o contrário. O exército vermelho cearense de Lula parece não ter entendido que Lula já perdeu, e o único destino certo do pobre Ceará é ser uma minúscula trincheira com poucos soldados petistas em um amplo campo de batalha representado pelo grande território do Brasil, já dominado pelos soldados de direita.

Qual a chance de o segundo estado mais pobre do Brasil, e o mais violento, sobreviver à avalanche de direita que o primeiro turno das eleições produziu montanha abaixo? Com esse Congresso já definido e completamente inclinado para a direita, Lula seria um presidente moribundo desde o domingo da apuração.

Lula não governa mais, nem entregando definitivamente a caneta da gestão ao Congresso para tentar se manter no cargo, na remotíssima chance de vencer no próximo domingo.

Dizem que ele é um encantador de serpentes na articulação política, capaz de cooptar qualquer senador ou deputado focado em rentabilizar seu mandato e encurtar o payback dos “investimentos” realizados para se eleger.

Mas resta claro como o sol que Lula chegaria aos frangalhos a um novo mandato, refém apavorado diante da guilhotina que começará a ser amolada no Senado e na Câmara.

Caso Flávio ganhe, só restará aos combatentes vermelhos da Força Rapadura entrincheirar-se na esquálida máquina pública das instâncias estaduais, atirando com baladeiras contra um exército verde e amarelo a bordo de blindados federais e armamento pesado.

Em mais dois anos haverá uma nova e decisiva batalha, que selará de vez o futuro dos vermelhos cearenses. Nas anteriores, faltaram apenas cerca de 10 mil votos para a vitória de André Fernandes, o fenômeno das urnas que anda de verde e amarelo. Neste primeiro turno, Ciro superou o petista Elmano em Fortaleza, com cerca de 100 mil votos de vantagem.

Sendo assim, é plausível admitir que, sem a máquina federal para impulsionar suas campanhas com verbas e obras, e com ela sob o controle do exército 22, serão remotas as chances de a volante 13 conseguir segurar o tsunami Flávio/Andrezinho/Ciro, que promete inundar Fortaleza nas próximas eleições. Caindo Fortaleza dos petistas nas mãos dos direitistas, cai o Ceará em 2030, por osmose.

O fato é que o lulopetismo já perdeu de goleada no primeiro turno e só sobraram intactos, ainda que com grandes rachaduras, três pequenos blocos de gelo nesse então colossal iceberg vermelho situado na esquina atlântica do Brasil: o Ceará, o Piauí e a Bahia. Maranhão, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte são blocos de gelo eleitorais que claramente já se desprenderam do grande continente gelado, digo, árido e seco, do Nordeste do Painho dos pobres.

Enquanto Lula e seu exército de brancaleones, quase todos pendurados em algum emprego público ou em aposentadoria tungada por Lululinha ou Lulão, tentam trocar a camisa vermelha pela amarela, a dona Morte aguarda paciente, ao lado da cama e palitando os dentes, para levar Lula para junto da sua turma, eleitoralmente já falecida no primeiro turno das eleições.

Allan Aguiar é ex-secretário do Turismo do Ceará

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