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“Melhor viver na Elmanolândia ou no sistema Bolsonaciro?” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Entre erros e acertos, Ciro e Elmano se mostraram parecidos”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Nem Elmano, nem Ciro Gomes. E não estamos falando de empate no debate Band, ocorrido nesse domingo (9), entre os dois maiores candidatos ao governo do Ceará. Na verdade, nem Elmano se pareceu com Elmano, muito menos Ciro se mostrou Ciro. Decepção maior recaiu sobre o candidato da oposição, ao tentar vender um modelo de gestão que grande parte do eleitorado cearense não viveu.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), a maior faixa etária de eleitores no Estado se concentra entre os nascidos em 1982 a 2001 (25 a 44 anos). Quando Ciro deixou o governo do Ceará, em setembro de 1994, o eleitor mais velho nesse grupo havia acabado de completar 12 anos. A maioria, sequer havia nascido ou deixado a primeira infância.

O candidato busca um futuro para o Estado, tendo como modelo o passado. Difícil na compreensão do eleitorado.

Já Elmano tenta vender o que já foi comprado pelo eleitor cearense: um Ceará três ou quatro vezes mais forte. A estratégia se mostrou bastante eficiente, quando o então deputado estadual e candidato em 2022 não inspirava muita confiança. Hoje, o forte, precisa estar centrado em Elmano, principalmente quando no imaginário do eleitorado se faz necessário um enfrentamento à violência. Claro, o candidato à reeleição não pode abrir mão do presidente Lula e dos senadores Camilo Santana e Cid Gomes, diante de um importante diferencial que a oposição não possui, mas precisa de uma maior habilidade para não ser ofuscado pelos próprios apoiadores. Sequer pode apresentá-los como iguais. Talvez, Lula.

Entre erros e acertos, Ciro e Elmano também se mostraram parecidos.

Ciro falou em Roberto Cláudio, seu vice na chapa, ao defender o ex-prefeito de Fortaleza de um ataque de Elmano. Sem perceber, o candidato da oposição trouxe um personagem conhecido do eleitorado 25/44, mas o ego já conhecido de Ciro não permitiu um avanço.

Elmano citou o apoiador Cid Gomes, como o verdadeiro transformador da educação no Ceará, sem atentar para a inquietação do eleitorado do não apoio de um irmão ao outro. Inquietação também de Ciro, que já havia sido treinado para a situação, ao colocar de forma descabida que o adversário estaria provocando uma intriga entre irmãos.

Em ataques, Ciro acusou Elmano de estar à frente de um governo corrupto, que favorece ao crime organizado e que permite desmandos nos comandos da saúde e da educação. Apesar de tratar o adversário como “gangster”, disse gostar de Elmano e até fez elogios. Uma trapalhada estratégica. Depois, ironizou os números apresentados por Elmano, ao afirmar que gostaria de viver na Elmanolândia, sem perceber que despertara o imaginário do eleitor.

Na ofensiva, Elmano se mostrou melhor que Ciro ao apontar o candidato da oposição como aliado do bolsonarismo, atualmente em baixa no país e mais ainda nos estados nordestinos. Como se estivesse em um labirinto, Ciro correu para um lado e para o outro, sem conseguir desfazer o Bolsonaciro. Tentou emplacar uma linha de união para salvar o Ceará, mas logo percebeu que estaria corroborando com o discurso de seu adversário. Mas a emenda saiu pior. Ciro “tentou um giro e fez um jirau”. Buscou apontar que o bolsonarismo também estaria na chapa de Elmano, por meio de sua vice Gabriella Aguiar, que seria do PSD, que seria o partido de Caiado, que seria simpatizante de Bolsonaro, que seria…

Nos próximos debates, Elmano e Ciro acenam para um embate mais tenso, quando máscaras poderão cair. Ou melhor se apresentarem…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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