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No Crato, nada a comemorar no Dia Internacional dos Museus

Museu J. Figueiredo Filho registrra desaparecimento de peças. Foto: Arquivo

Do jornalista Flamínio Araripe – direto do Crato

Neste sábado (dia 18), quando é comemorado o Dia Internacional dos Museus, não há nada a celebrar no Museu J. de Figueiredo Filho e no Museu de Artes Vicente Leite da Prefeitura do Crato. Os dois museus estão fechados há mais de uma década e não há previsão de retorno da visitação pública.

O prédio que abrigava os dois museus, construído em 1883, foi interditado e isolado pela Defesa Civil este ano, quando desabou parte da parede no piso superior, em março. Não se pode nem passar pela calçada neste endereço numa esquina da Praça da Sé. Ali funcionavam a Prefeitura e Câmara Municipal nos altos e, no térreo, a cadeia pública – antes da cessão do espaço para os museus, hoje invisíveis.

O Instituto Cultural do Cariri (ICC), com sede no Crato, lidera campanha pela reabertura dos dois museus. Em abril, levou a população às ruas com cartazes e discursos em defesa das duas instituições lançadas no limbo. A mobilização é mantida pelas redes sociais com depoimentos de personalidades dos setores de educação e cultura da região.

A reforma do prédio histórico dos dois museus patina na burocracia. Vai no ritmo preferido pela inércia, quando a administração se escora no legalismo e a vontade política não aparece para fazer. Há recurso – cerca de R$ 1 milhão – e projeto aprovado pela Secretaria Estadual de Cultura com a chancela do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O prédio é tombado nas instâncias do Município e Estado.

Depois de oito licitações – a primeira em 2021 – não aparece empresa interessada na obra. Mesmo com a dispensa de licitação, o município não encontrou empresa para iniciar o serviço.

Diante da situação, o prefeito José Ailton Brasil “determinou ao setor de engenharia da Secretaria de Infraestrutura a reformulação do projeto. Em seguida, será lançada nova licitação”, informa a Prefeitura do Crato através da Assessoria de Comunicação.

O Conselho Internacional de Museus (ICOM), órgão da Unesco , criou esta data em 1977 com o objetivo de conscientizar o público sobre a importância dos museus como meios de interação cultural, preservação da memória e produção de conhecimento. “Museus para a Educação e a Investigação”, tema do Dia Internacional dos Museus este ano, evidencia a importância deste espaço como instituições educativas dinâmicas que promovem a aprendizagem, a descoberta e a compreensão cultural.

O Museu J. de Figueiredo Filho leva o nome de meu avô materno, José Alves de Figueiredo Filho, jornalista, escritor e historiador cratense. Por esta razão sou um dos signatários do “Manifesto da família em defesa da reabertura do Museu J. de Figueiredo Filho” que se lê a seguir, encaminhado pelo Instituto Cultural do Cariri à Prefeitura do Crato.

Manifesto da família em defesa da reabertura do Museu J. de Figueiredo Filho

A família do escritor e historiador José Alves de Figueiredo Filho dirige um apelo  à prefeitura do Crato no sentido de que agilize a reforma do prédio que abriga o Museu com seu nome e realize a reabertura das instalações à visitação pública. Tem sido motivo de constrangimento e preocupação para todos os familiares saber do estado de abandono desta instituição que abriga muito da identidade de Crato e surgiu do ideário dos intelectuais cratenses congregados no Instituto Cultural do Cariri, que organizaram este acervo com muito zelo e amor à memória da cidade.

Seu filho Cauby, netos, sobrinhos e bisnetos estão unidos neste sentimento de apelar à sensibilidae das autoridades municipais para promover o merecido resgate do Museu Histórico J. de Figueiredo Filho, marco da cultura cratense. Importante lembrar que José Alves de Figueiredo Filho criou o museu histórico em 1958 e mantinha em sua casa na rua Miguel Limaverde todo o acervo até 21 de junho de 1970, quando foi doado à Prefeitura do Crato.

Temos amor ao nosso ente querido, que devotou toda uma vida à cultura popular do Cariri e granjeou o respeito pela sua obra dedicada ao engrandecimento do Crato. O material em exposição era formado por doações de familiares de personagens da história da região que confiaram pertences de seus antepassados à credibilidade pessoal do historiador e do Instituto Cultural do Cariri, por ele criado, que funcionava no mesmo endereço.

O museu ficava na sala da frente da casa na rua Miguel Limaverde, com janelas para a rua de onde se via do outro lado a sorveteria de Bantim, um prédio de esquina com a praça Siqueira Campos. Um birô ficava perto da janela e no lado, na perpendicular – também na frente -, as estantes horizontais com tampo de vidro onde se guardavam espadas de heróis da Confederação do Equador, condecorações e objetos pessoais de maior valor, um punhal com o cabo cravejado de pedras preciosas.

Um mostruário conservava as peças arqueológicas – machadinhas e cachimbos dos índios Cariris, algumas peças foram encontradas em escavações perto da praça da Sé. O maior atrativo era uma urna funerária grande de cerâmica resistente. Muitas peças desapareceram, sejam de valor monetário ou histórico.

O desaparecimento de itens do acervo arqueológico foi documentado em 2015 pela doutora em Arqueologia Rosiane Limaverde, na sua tese de doutoramento, “Arqueologia Social Inclusiva – A Fundação Casa Grande e a Gestão do Patrimônio Cultural da Chapada do Araripe, Nova Olinda, CE, Brasil”. A dissertação foi defendida e aprovada, com louvor, na Universidade de Coimbra, Portugal em 2015.

Em 2016, em monografia de conclusão do Curso de Extensão em Arqueologia e Patrimônio Cultural da Chapada do Araripe, Paulo Eduardo Rolim Campos, sob orientação de Rosiane Limaverde, fez um novo levantamento do acervo de arqueologia e constatou o desaparecimento de algumas peças. Cita o desaparecimento de louça de índio em barro e de um cachimbo com característica da arte inca, recolhido em escavações numa ladeira perto de Exu, Pernambuco. Também sumiu um colar de Jadeite.

Causa estranheza ter desaparecido, também, o nome do autor da doação de todo este acervo à Prefeitura, aquele que dedicou anos de sua vida e um espaço da sua residência para formar o museu. A Prefeitura pintou no alto da fachada do prédio do Museu o nome Museu Histórico J. de Figueiredo Filho, depois, em uma gestão passada, o prefeito de turno resolveu tirar.

Desde 1970, ao longo da gestão de diversos prefeitos, desapareceram peças do acervo de arqueologia e outras. O que não pode desaparecer – e aí nós, familiares do historiador, reforçamos a nossa súplica – é o Museu Histórico J. de Figueiredo Filho.

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