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“O Brasil na mira de Trump” – Por Florestan Fernandes Júnior

Florestan Fernandes Júnior é jornalista

“Donald Trump utilizou suas redes sociais nesta terça-feira para atacar diretamente a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro”, aponta o jornalista Florestan Fernandes Júnior

Confira:

O presidente Donald Trump utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (23/06) para atacar diretamente a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. Sem apresentar provas, Trump compartilhou um artigo do portal da emissora conservadora Newsmax, preparando o caminho para uma eventual contestação do resultado nas urnas e sinalizando futura pressão externa vinda de Washington, caso Flávio Bolsonaro, candidato apoiado pela Casa Branca, seja derrotado por Lula na disputa presidencial.

Em sua publicação, Trump vai além e classifica a eleição presidencial brasileira como seu “próximo desafio”. O que se tem é uma declaração de extrema gravidade, que extrapola a mera opinião política e escancara o interesse direto no desfecho institucional do Brasil, uma interferência flagrante em assuntos de soberania nacional. Ironicamente, se há uma democracia global hoje imersa em crises de desconfiança e questionamentos de transparência, são os próprios Estados Unidos. Nem por isso potências como China, França ou Alemanha se atrevem a questionar a legitimidade do processo eleitoral americano.

Urna eletrônica já mostrou sua confiabilidade

O sistema eletrônico de votação brasileiro já se provou não apenas seguro, mas plenamente auditável. Diferente do antigo voto em papel, historicamente vulnerável a fraudes, o processo digital conta com 26 etapas independentes de fiscalização, garantindo transparência e controle auditável por partidos e instituições independentes.

Importante destacar a contradição central desse discurso contra as urnas eletrônicas: nos últimos 30 anos, a família Bolsonaro construiu toda a sua trajetória política por meio deste mesmo sistema. Do patriarca, Jair Bolsonaro, às suas ex-esposas e seus quatro filhos, todos foram eleitos para cargos públicos através das urnas eletrônicas cuja lisura agora tentam desacreditar.

Agenda geopolítica do governo Trump

Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem seguido uma agenda externa rigorosamente alinhada ao planejamento de seu secretário de Estado, Marco Rubio, que visa reposicionar a América Latina sob uma lógica de estrita dependência política e econômica em relação a Washington. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, foi explícito sobre essa visão geopolítica ao afirmar que “o governo dos Estados Unidos pretende recuperar nosso quintal”, referindo-se à região como uma zona de influência subordinada que se estende do México ao extremo sul do continente.

Nesse tabuleiro, o governo Trump vem intensificando políticas de tolerância zero à migração, marcadas por prisões e deportações em massa de famílias latino-americanas. No plano regional, Washington apoia regimes alinhados à sua cartilha de segurança de alta repressão, como o de Nayib Bukele em El Salvador, além de capitanear ações de força na Venezuela, que culminaram na captura e prisão de Nicolás Maduro.

Paralelamente à pressão diplomática, os processos eleitorais sul-americanos enfrentam o avanço de estratégias coordenadas nas redes sociais, impulsionadas pelos algoritmos de plataformas digitais que favorecem a extrema-direita.

Derrame de dólares

Nesta quarta-feira (24/06), o Departamento de Estado americano anunciou um plano para liberar US$ 986 mil (cerca de R$ 5 milhões) para financiar cada projeto aprovado que contestem decisões judiciais e a regulação de plataformas digitais no Brasil. O financiamento expõe o país a sérios riscos institucionais e escancara o intervencionismo de Washington, ao destinar recursos públicos dos EUA a organizações locais que atuam em áreas sensíveis, como o Judiciário, o processo eleitoral e a moderação de conteúdo. Trata-se de uma ingerência clara na dinâmica eleitoral brasileira, instrumentalizada via redes sociais.

Neste cenário de ofensiva externa, despontam lideranças locais alinhadas de forma subserviente – como se fantoches fossem – aos interesses de Washington. Atuando em sintonia com a Casa Branca, os parlamentares Eduardo e Flávio Bolsonaro trabalham de maneira sistemática contra os interesses do próprio país, sugerindo desde barreiras comerciais contra as exportações brasileiras até a imposição de sanções contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em meio a ameaças tão explícitas ao processo democrático, o presidente Lula precisa responder à altura. O desafio atual não se restringe à liturgia eleitoral, mas envolve barrar a escalada da pressão estrangeira sobre a soberania nacional, com profundas implicações políticas e institucionais.

Mas além disto, há um ponto que merece atenção: esse derrame de dólares em pleno processo eleitoral para financiar ONGs que contestem decisões eleitorais, nada mais é do que é estratégia de financiamento ilícito da campanha eleitoral dos candidatos de extrema-direita. É daquelas situações em que se olha e pensa: tem rabo de porco, focinho de porco, orelha de porco, só pode ser um porco.

É urgente que o governo brasileiro alerte a comunidade internacional sobre a ofensiva em curso contra a décima maior economia do mundo. Mais do que isso, cabe conscientizar a sociedade civil sobre o papel de atores políticos que, sob o manto de um falso patriotismo, articulam com o poder externo a entrega das riquezas, das instituições e do futuro do país.

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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