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“O católico deputado fiel”

F.J.Caminha, escritor e ex-deputado. Foto: Divulgação

“Ele ficou mais raivoso que gago com esta resposta e quis me imputar uma possível e inexistente sentimento de culpa”, aponta o ex-deputado federal F J Caminha. Confira:

Ele é um fervoroso devoto católico que se confessa regularmente, comunga nas missas e faz questão de acompanhar todas as procissões com aquele semblante piedoso de um romeiro. Como deputado estadual foi a Barbalha, cidade do Sul do Ceará, participar de mais uma magnífica e tradicional festa do Pau do Bandeira que se inicia quando vários homens carregam nos ombros pelas ruas da cidade o denominado pau de Santo Antônio. Trata-se de um enorme tronco de árvore que em cortejo é seguido pela multidão de fiéis até chegar na praça da igreja matriz, onde é levantado para se tornar o mastro no qual é içada a bandeira do padroeiro da cidade.

Após cumpridos diariamente todos os protocolos religiosos, as noites são regadas pelas festas profanas onde famosos cantores e bandas de forró tocam músicas de sucesso que despertam a libido que associada a bebida alcoólica hidrata todas as veias dos devotos numa orquestra desafinada de desejos por atos pecaminosos. Assim, acontece a fusão entre o santo e o profano que se misturam nessa dicotomia da existência humana. Afinal, a igreja é santa e pecadora. Se não existisse o pecado a igreja perderia força. Sem transgressões não há necessidade de perdão e sem demônio o medo do inferno deixaria os homens mais livres do peso do controle da religiosidade.

Mas, o nosso deputado preferiu cedo se recolher no hotel como forma de se proteger das possíveis tentações daquelas mulheres belas e sedutoras que sentem atração por homens de poder, afinal dinheiro e poder são fetiches e conquistar um político povoa o imaginário de muitas delas. No entanto, quando o deputado já estava sonolento na cama escuta uma batida na porta do quarto, ao abri-la se depara com uma estonteante jovem mulher fatal, uma deusa do apocalipse, sedutoramente bem vestida destacando-se o decote sensual do vestido preto cujos fartos seios fez o parlamentar desejar. Pensou no prazer usufruir deles ao lembrar em uma fração de segundos trechos da narração poética de uma noite de núpcias descrita pelo rei Salomão no livro bíblico do Cântico dos Cânticos ou Cantares como denominam alguns teólogos. Rompeu o instante de silêncio e disse:

  • – Oi, moça, diga o que, que, que deseja.
  • – Seu amigo me disse que você estava sozinho aqui e me pediu para te fazer companhia.

Aquela voz doce como o mel da jandaíra acionou gatilho adormecido da sua masculinidade e na rapidez de um relâmpago seu coração acelerou de desejo, mas depois respirar fundo, veio à tona a voz pesada da consciência religiosa com o condão do chumbo do medo e da culpa. Nesse interregno temporal, pensou na esposa e no castigo do pecado. Preferiu desviar os olhos dela, a recusou e gaguejando despediu a moça que saiu frustrada.

Tempos depois, veio ele me contar essa história narrada acima com certo ar de orgulho espiritual. E me desafiou com a afirmação:

  • – Caminha eu tenho certeza que você como bom cristão faria o mesmo que fiz.
  • – Eu não, respondi. Ele insistiu:
  • – O que faria como homem muito religioso que eu sei que você?
  • – Eu ficaria genuflexo diante dela e moveria olhos lentamente de baixo para cima até o céu próximo de mim, agradeceria a Deus assim, obrigado meu Senhor, por esta benção enviada por ti. Eu sei que não deixas nunca teu servo abandonado e a convidaria gentilmente para entrar no quarto e ceiar comigo no altar da paixão durante toda noite.

Ele ficou mais raivoso que gago com esta resposta e quis me imputar uma possível e inexistente sentimento de culpa.

A religião inteligentemente sempre superlativou o sexo como pecado para exercer o poder sobre os homens e destacou que só o sacerdote tem a delegação divina de perdoar os pecados que livram os seres humanos do fogo eterno do inferno. Não quero ir mais além, apenas resumo deixando para conclusão do leitor um xulo ditado popular:

Sexo sem o gosto do pecado é como aquele ovo que a gente come sem sal.

F J Caminha é ex-deputado estadual

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