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“O Ceará e a Próxima Década da Inovação” – Por Acrísio Sena

Acrísio Sena é historiador e ex-deputado estadual

Com o título “O Ceará e a Próxima Década da Inovação”, eis artigo de Acrísio Sena, ex-presidente do Centec e historiador. “Os números confirmam essa transformação. O Ceará lidera os estados nordestinos em faturamento no setor de tecnologia, com aproximadamente R$ 13,9 bilhões e 14.782 empresas ativas, resultado de investimentos contínuos em conhecimento, infraestrutura e formação de pessoas”, expõe o articulista.

Confira:

O desenvolvimento de uma região acontece quando infraestrutura, conhecimento, capital humano, empreendedorismo e capacidade institucional convergem em uma mesma direção. Em determinados momentos históricos, essa convergência cria oportunidades capazes de redefinir a trajetória econômica de um território. O Ceará vive exatamente um desses momentos.

Ao longo das últimas décadas, o Estado construiu uma base sólida de competências que o coloca em posição de destaque na economia da inovação. Fortaleza abriga um dos principais hubs de cabos submarinos do hemisfério sul e atrai investimentos estratégicos em infraestrutura digital e grandes data centers. Universidades, institutos de pesquisa, empresas e políticas públicas permanentes de ciência, tecnologia e inovação consolidaram um ambiente que dificilmente existia há poucos anos.

Os números confirmam essa transformação. O Ceará lidera os estados nordestinos em faturamento no setor de tecnologia, com aproximadamente R$ 13,9 bilhões e 14.782 empresas ativas, resultado de investimentos contínuos em conhecimento, infraestrutura e formação de pessoas. Pernambuco aparece em seguida, impulsionado pela experiência do Porto Digital, e a Bahia completa o principal eixo tecnológico regional, com a maior base empresarial do Nordeste. Juntos, os três estados movimentam cerca de R$ 39,2 bilhões por ano e reúnem mais de 50 mil empresas dedicadas ao desenvolvimento de software, telecomunicações e serviços digitais.

Comparar esse cenário com Santa Catarina ajuda a compreender o próximo desafio. Com aproximadamente R$ 42,5 bilhões em faturamento e cerca de 30 mil empresas, o estado catarinense demonstra que a maturidade de um ecossistema depende da escala econômica e da capacidade de gerar maior valor por empresa. O Nordeste já conquistou dimensão suficiente para assumir protagonismo nacional. O passo seguinte será aumentar sua sofisticação econômica.

A tecnologia atravessa praticamente todas as atividades econômicas, presente na indústria, no agronegócio, na saúde, na educação, nos serviços e na administração pública. Como o IBGE ainda não dispõe de um indicador específico para o PIB da tecnologia por estado, o faturamento anual consolidado tornou-se a principal referência para comparações nacionais, tendo o Observatório ACATE como uma das principais fontes brasileiras de inteligência econômica sobre o setor.

Fortaleza, Recife e Salvador concentram aproximadamente 70% do faturamento tecnológico de seus respectivos estados, padrão observado nos grandes ecossistemas de inovação do mundo: conhecimento, talento, investimento e empreendedorismo tendem a concentrar-se onde existe maior interação entre pessoas e instituições. Fortaleza lidera esse grupo, com faturamento estimado em R$ 9,7 bilhões, constituindo a principal porta de entrada da economia digital no Nordeste.

A próxima etapa consiste em transformar essa base em produtos, serviços e empresas de maior valor agregado. Inteligência artificial, softwares especializados, tecnologias industriais, segurança cibernética e internet das coisas representam oportunidades concretas para ampliar a competitividade do ecossistema cearense. Essa transição se consolida em ambientes capazes de estimular convivência permanente entre estudantes, pesquisadores, empreendedores, investidores e gestores públicos. A inovação nasce do encontro entre pessoas.

É nesse contexto que ganha sentido a discussão sobre um Polo de Inovação para Fortaleza, instrumento de articulação capaz de fortalecer conexões entre universidades, empresas, centros de pesquisa, investidores, equipamentos culturais e poder público. Seu sucesso mede-se pela capacidade de melhorar a qualidade de vida na cidade: quando conhecimento, empreendedorismo, cultura e planejamento urbano caminham juntos, surgem empregos qualificados, revitalizam-se áreas urbanas e retêm-se talentos, criando um vasto corredor de inovação.

O desafio da próxima década será articular universidades, centros de pesquisa, empresas, infraestrutura digital e talentos em um ecossistema verdadeiramente integrado. Esse processo exige continuidade institucional, confiança e uma visão compartilhada de futuro. Quando todos esses atores atuam de forma coordenada, a inovação deixa de ser uma vocação promissora para tornar-se uma estratégia permanente de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Essa é a maior oportunidade histórica que hoje se apresenta ao Ceará.

*Acrísio Sena

Ex-presidente do Centec e historiador.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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